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    RUBY SPARKS - A NAMORADA PERFEITA

    Apesar do início entediante, repleto de clichês, filme se recupera e cresce até ápice grandioso<br />
    Por Paulo Cintra
    10/10/2012

    O que você faria se pudesse criar seu par romântico perfeito? É a partir desta premissa que Ruby Sparks se desenvolve. O longa é vendido como uma comédia romântica, mas passa longe do gênero. O que temos aqui é um bom drama, com altos e baixos, um vocabulário nada amoroso e cenas fortes para mexer com a cabeça de qualquer adolescente problemático.

    Imagine um prodígio da literatura que alcançou o sucesso logo em seu primeiro livro, porém não consegue emplacar um novo hit. Esse é Calvin, a figura central da trama. Qualquer semelhança com J. D. Salinger não é mera coincidência, o escritor é referência em vários momentos do filme.

    Esse jovem romancista é interpretado por Paul Dano, que corresponde muito bem ao papel. Trabalhando em um novo livro, ele cria Ruby, personagem que inexplicavelmente ganha vida e se torna a sua tão sonhada namorada ideal, ou quase isso, já que Calvin começa a brincar de Deus com a garota.

    Quem dá vida a esta mistura de Frankenstein com Mulher Nota 1000 é a talentosa Zoe Kazan. A jovem atriz é um show a parte: além da ótima interpretação, é dela o roteiro que deve agradar em cheio ao público hipster. Alguns personagens secundários são uma grata surpresa, como é o caso do irmão de Calvin (Chris Messina), responsável por algumas das melhores piadas. Por outro lado, outras figuras ficam perdidas na história e são caricatas demais para serem levadas a sério, como o padrasto do protagonista, vívido sem muito brilho por Antonio Banderas.

    Talvez o maior mérito do longa seja fazer o público rir, mesmo se tratando de um drama sobre solidão e egocentrismo. Essa é a marca registrada de Jonathan Dayton e Valerie Faris, diretores que já haviam conseguido algo parecido em Pequena Miss Sunshine.

    Apesar do início entediante, repleto de clichês, a história se recupera e cresce aos poucos até um ápice grandioso. Em uma cena, o protagonista pede ao espectador: "acredite na história". E, apesar do principal argumento da trama (como a garota ganhou vida) não ser explicado em momento algum, você embarca na fantasia e aproveita o drama.

    Como se sabe, desfechos podem influenciar de maneira positiva ou negativa toda uma produção. E é justamente em seu final que Ruby Sparks se perde. A conclusão é forçadamente positivista, com a tradicional mensagem "tudo vai dar certo, não importa como ou por que", contradizendo todo o resto do filme e deixando um gosto amargo na boca. Impossível não pensar que houve interferência do estúdio, já que assim o drama torna-se mais vendável e de melhor absorção para o grande público.

    Apesar de certa decepção, Ruby Sparks é, sem dúvidas, um longa interessante e que merece ser visto. Tem uma fórmula perfeita para agradar pessoas em busca de identidade e alternativos de plantão.