cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    RUSH - NO LIMITE DA EMOÇÃO

    Fórmula 1 nas telas para quem ama e quem desconhece
    Por Roberto Guerra
    09/09/2013

    A Fórmula 1 é palco de disputas encarniçadas entre pilotos dentro e fora das pistas. Todos querendo subir ao pódio, o que não significa apenas vencer – desejo de todo esportista, não importa a modalidade -, mas também prestígio, poder e muito dinheiro.

    É curioso notar que Hollywood tenha explorado muito pouco o tema. O circo da categoria automobilística é lugar onde grassa a vaidade, inveja, ciúmes, deslealdade e uma competição atroz - fonte inegável de bons argumentos para filmes como prova o cineasta Ron Howard (Uma Mente Brilhante) com Rush – No Limite da Emoção.

    O filme trata de um dos campeonatos mais marcantes da Fórmula 1, a temporada de 1976, célebre pelo duelo entre o piloto austríaco Niki Lauda e o inglês James Hunt. Uma história que, se fosse obra de ficção, muitos diriam ser implausível, artificial, coisa de cinema. E surpreende este ainda não ter levado antes essa trama às telas.

    Rush transcende a empatia óbvia com os fãs de automobilismo e é capaz de agradar mesmo quem nunca ouviu falar em paddock, cockpit, chicane e que pneu também usa cobertor. E os méritos são de Howard, e sua primazia técnica, e do roteirista Peter Morgan (O Último Rei da Escócia) e sua habilidade insuspeita em desenvolver a evolução da ação dramática.

    O bom trabalho de câmera do cineasta durante as sequências de corrida põe o espectador no carro, sentindo o cheiro de borracha queimada e com os ouvidos anestesiados com o ronco dos motores poderosos. E a imersão aqui não se dá pelo uso do 3D, vem da boa direção mesmo. A fotografia de Anthony Dod Mantle (Oscar por Quem quer ser um Milionário) dá o tom de época, nos remetendo a um passado próximo que não ficaria tão evidenciado somente pela direção de arte.

    O roteiro de Morgan, por sua vez, fundamenta a rivalidade e personalidade dos oponentes – Lauda: meticuloso, perfeccionista e obstinado; Hunt: mulherengo, indisciplinado e audacioso – voltando no tempo e mostrando os primórdios de uma disputa que teve início em categorias intermediárias e chegou a seu paroxismo, algo feroz, no campeonato de 76.

    Rush – No Limite da Emoção é uma aula de bom cinema, que continua sendo, simplesmente, a habilidade de contar uma boa história pelos meios audiovisuais. Ron Howard não quis reinventar a roda ou fazer estudo psicológico de personagens, porque isso é coisa de acadêmico. Desejou fazer um bom filme e deixou para trás numa habilidosa ultrapassagem todos os longas sobre esportes feitos nos últimos anos.