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    S.O.S. MULHERES AO MAR

    Leve, divertida e bem dirigida comédia romântica nacional
    Por Roberto Guerra
    20/03/2014

    Acusa-se a crítica brasileira de má vontade com as comédias nacionais. O humorista Bruno Mazzeo, vítima contumaz da imprensa especializada, chegou a sugerir em entrevista a criação do "crítico de comédia", que seria um tipo menos inclinado a ficar esquadrinhando um filme de entretenimento atrás de valores artísticos elevados. Exageros de lado, há um fato inconteste na contenda: boa parte das comédias que foram feitas nos últimos anos – independente do sucesso de público – é sofrível.

    O problema comum à maioria delas: levar para o cinema a estrutura de esquetes dos programas de TV, com situações cômicas isoladas de pouca relação entre si e muito menos com a trama – esta quase sempre um pretexto. Tem realizador que já percebeu a arapuca e, ao escapar dela, vem oferecendo ao público boas comédias, como é o caso de S.O.S – Mulheres ao Mar.

    A primeira coisa a se dizer sobre o longa dirigido por Cris D'amato é que trata-se de um filme de verdade. O roteiro escrito a seis mãos por Marcelo Saback, Rodrigo Nogueira e Sylvio Gonçalves serve de base e não de justificativa. O desenvolvimento da trama bem-amarrada origina as situações cômicas, que são divertidas e estão devidamente inseridas no contexto da produção. Tanto que não se precisou apelar para o talento individual de comediantes famosos para buscar o riso – artifício comum quando se tem um roteiro capenga em mãos.

    S.O.S. – Mulheres ao Mar é uma comédia romântica de trama simples e eficiente. Adriana (Giovanna Antonelli) toma um pé na bunda do marido Eduardo (Marcello Airoldi), que a troca pela bela atriz Beatriz Weber (Emanuelle Araujo). Para tentar recuperar seu amor, ela embarca disfarçada num cruzeiro rumo a Itália no qual o ex e sua nova paixão curtem uma espécie de lua de mel. Suas fiéis escudeiras são a irmã Luiza (Fabiula Nascimento) e sua empregada Dialinda (Thalita Carauta). Reynaldo Gianecchini vive André, um bonitão que viaja sozinho e cruza o caminho de Adriana.

    Dispensável dar mais detalhes sobre a história. Mulheres ao Mar é uma comédia romântica e não foge à fórmula que faz o sucesso do gênero. Sabemos que o amor vai prevalecer ao final e ninguém – ao menos os de sã consciência – pode esperar mais do que boa diversão ao longo de hora e meia de projeção. E isto o filme oferece com eficiência e sem apelações – comuns em análogos americanos dos últimos anos, que costumam recorrer à escatologia de gosto duvidoso para fazer rir.

    Cris D'amato dirige com precisão e mostra claro domínio sobre as particularidades do gênero. O elenco de apoio – ingrediente essencial de uma boa comédia romântica – também está no ponto. Fabiula Nascimento e Thalita Carauta são responsáveis pelos momentos divertidos do filme que abrem espaço para os protagonistas trabalhem o lado romântico do enredo. A montagem de Eduardo Hartung é outro trunfo, principalmente no primeiro terço da trama, dando dinâmica e ritmo à produção.

    Com as devidas exceções, a crítica do país não tem pirraça com as comédias brasileiras. É só fazer bem feito, assim como S.O.S. – Mulheres ao Mar.