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    SACRIFÍCIO

    Novo longa de Chen Kaige é belíssimo épico histórico chinês sobre amor paterno e vingança <br />
    Por Roberto Guerra
    07/01/2013

    O cineasta chinês Chen Kaige levou o novo cinema chinês ao mundo ocidental no início da década de 90, quando seu Adeus, Minha Concubina saiu de Cannes com a Palma de Ouro. A nova produção de Kaige, Sacrificio, não é brilhante como seu longa de 1993, mas revela-se um bom épico histórico.

    A história fala do ambicioso líder militar Tu’an Gu (Wang Xue Qi), que num golpe aniquila todo um clã em busca poder. O médico Cheng Ying (Ge You), que presencia o massacre, sacrifica o próprio filho para cuidar do último herdeiro da facção, nascido enquanto seu povo era dizimado. Ying cria o menino como filho e, tempos depois, faz com que este se aproxime de Tu’an Gu para que tenham então sua tão aguardada vingança.

    A produção começa muito bem, mostrando o massacre do clã Zhan em cenas violentas e de beleza estética indiscutível, marca registra de Kaige, cujos filmes são conhecidos pelo apuro visual e esmero na direção de arte. Cenários e figurino são irretocáveis - para as filmagens, a produção chegou a construir uma cidade inteira nos moldes da China feudal.

    Outro ponto alto de Sacrifício é fugir da tradicional abordagem dos filmes sobre vingança. A trama se sustenta no ato de amor de um homem e na relação entre pai e filho. O médico salva o herdeiro do clã e abdica de sua própria cria, o que acaba por jogá-lo dentro da mesma torrente de vingança que havia prometido à mãe da criança livrá-la ao crescer.

    O médico Cheng Ying leva o menino a conviver com o general que dizimou sua casta, fazendo dos dois padrinho e afilhado. A ideia é que, quando enfim revele o segredo, o jovem tire a vida do padrinho e também o humilhe, desfazendo-o de sua honra.

    Neste ponto da trama a ação diminui e o filme torna-se mais contemplativo, o que não alivia sua carga de tensão, agora sustentada pela relação entre o general e o médico. Há a sugestão implícita que a passagem do tempo possa ter atenuado o desejo de vingança, que esta talvez não seja mais necessária dadas às circunstâncias.

    O Sacrifício, no entanto, não foge de seu desfecho natural. E como bem diziam os poetas clássicos chineses: "Não há emoção humana mais forte do que a sede de vingança". O caráter novelesco da história e o final previsível, no entanto, não tiram o prazer de se assistir a esse filme envolvente e muito bem dirigido por Chen Kaige.