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    SAL DE PRATA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    A primeira cena de Sal de Prata é marcante. O rosto de Camila Pitanga é filmado em close. A atriz apresenta uma espécie de "carta de intenções" do filme: o diretor gostaria que o filme fosse visto por pessoas de todas as idades, mas preferiu não cortar as cenas de sexo que aumentariam a censura da produção. Enquanto lê sua fala, Camila simula o prazer sexual. A cena parece ser a prévia do que está para vir, mas é o único momento de genialidade nos próximos 90 e poucos minutos.

    A protagonista é a bela Cátia (Maria Fernanda Cândido), uma bem-sucedida economista que namora Veronese (Marcos Breda), um cineasta que nunca conseguir filmar sequer um longa-metragem. Apesar de tantas diferenças, o casal mantém um relacionamento apaixonado há algum tempo. Quando o cineasta morre repentinamente, Cátia é forçada a penetrar no mundo do cinema e tentar conhecer melhor a obra de Veronese. Para isso, terá de se relacionar com seus amigos: Valdo (Bruno Garcia), um cineasta de sucesso; Cassandra (Camila Pitanga), atriz favorita de Veronese; Mirabela (Janaína Kremer), produtora; João Baptista (Nelson Diniz), publicitário e diretor; e Holmes (Júlio Andrade), cineasta "alternativo".

    O título do filme está relacionado à substância química que torna o filme sensível à luz. Desde meados da década de 1980, as tecnologias digitais participam cada vez mais dos processos de realização, fazendo com que o sal de prata seja cada vez menos usado. Não é somente na finalização que os recursos digitais são cada vez mais difundidos na produção cinematográfica, mas também na captação da imagem. Sal de Prata levanta a questão da morte do uso do filme na indústria cinematográfica. No entanto, o foco está em como o cinema conquista e muda a vida da protagonista, soando como uma homenagem a esta arte.

    Sal de Prata é pretensioso demais e esse é seu maior (e mortal) defeito. Mesmo assim, a produção tem seu valor aumentado graças à montagem (que recebeu um Kikito no último Festival de Gramado) e, principalmente, pela atuação de Camila Pitanga, que rouba toda a cena. O papel de Camila começa pequeno e ganha ares de protagonista graças à sua performance, fazendo com que a produção não seja somente um desperdício de rolos de filme.