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    SAMBA

    Diretores de Intocáveis voltam a apostar em drama com humor
    Por Edu Fernandes
    08/07/2015

    A apresentação do personagem-título de Samba já deixa clara a temática que o filme irá abordar. A primeira cena se passa em uma festa de muita ostentação, com a câmera que passeia da pista de dança para a cozinha, onde profissionais trainados montam belas sobremesas. A caminhada termina na base da cadeia alimentar social, na seção de lavagem de pratos, onde o protagonista (Omar Sy, de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros) usa suas mãos nuas para tirar restos de comida da louça.

    Os diretores Olivier Nakache e Eric Toledano encantaram o mundo com Intocáveis (2011), mas agora abordam o polêmico assunto da imigração em uma época em que a Europa adora medidas para desencorajar a vinda de estrangeiros para suas terras. Um desses aventureiros é Samba, que deixou o Senegal há dez anos, mas ainda não conseguiu regularizar sua situação na França. Por isso, acaba detido.

    Durante seu confinamento, ele entra em contato com a assistente social Alice (Charlotte Gainsbourg), uma novata na área com a responsabilidade de ajuda-lo nos tramites jurídicos. As coisas não dão muito certo e Samba recebe uma ordem para deixar a França, mas ele permanece no país de forma ilegal.

    Intocáveis abordava a questão unânime das dificuldades de um deficiente físico, enquanto Samba opta por uma pegada mais social, que divide opiniões. Apesar da mudança de tom, a mistura de drama e comédia é uma constante em ambos os títulos. Dessa maneira, o longa consegue transmitir sua mensagem com leveza.

    Para o público brasileiro, o trabalho mais recente da dupla de cineastas tem um sabor especial. Nas ruas, Samba conhece Wilson (Tahar Rahim, de Grand Central), um imigrante brasileiro em situação ilegal. Ele é o principal alívio cômico do filme, com uma boa dose de malandragem para ajudar o herói a conseguir trabalhos e a escapar da fiscalização.

    A brasilidade se faz presente também na trilha musical. Enquanto Intocáveis trazia uma cena dançante ao som de Earth, Wind & Fire; Samba tem Gilberto Gil e Jorge Ben Jor em seus números musicais. Dessa vez, o requebrado fica por conta de Wilson, uma vez que o protagonista é mais tímido.

    Outra novidade em relação ao filme anterior é a inserção de uma história de amor. Apesar da conduta ética de seu trabalho ditar o contrário, Alice começa a se aproximar de Samba no nível pessoal. O flerte entre os dois personagens é vagaroso, por conta das restrições deles, e segue como elemento de interesse do público. A química entre os atores funciona e seus talentos trabalham em favor dos personagens.

    Com todos esses elementos alinhados, é irresistível não torcer para o herói. Assim, os realizadores encontram uma maneira inteligente de entregar seu discurso social e ao mesmo tempo criar um bom entretenimento.