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    SÃO SILVESTRE

    Sensorial, trilha e edição levantam ritmo do filme
    Por Ana Carolina Addario
    23/12/2013

    A proposta do documentário São Silvestre por si só já é atraente: sensorial, apresenta um novo ponto de vista para uma tradição que estamos acostumados a ver pelo ângulo de sempre, além de prestar uma bela homenagem à cidade de São Paulo. Portanto, prepare-se para 'suar' e para entender o que se passa no consagrado trajeto da corrida que reúne atletas de todo o mundo. Mas exatamente como quem participa do ritual, assistir ao filme de Lina Chamie também pode ser um pouco cansativo, sobretudo porque desafia o espectador a encarar sua trama de um ponto de vista muito menos passivo do que o normal.

    A Corrida Internacional de São Silvestre reúne anualmente cerca de 25 mil atletas, entre profissionais e amadores, em busca da superação que representa enfrentar 15 km de planícies e ladeiras debaixo da chuva de janeiro. Não é fácil nem para quem se prepara o ano inteiro. E embora o número de participantes seja representativo (em 2013 foram 27,5 mil inscritos), a corrida é muito mais vista pelo sofá de casa da população brasileira do que no trajeto em si, nas ruas da cidade. Ponto pacífico. Mas com suas câmeras trêmulas, respiração ofegante e muito suor, o filme de Lina Chamie oferece o ponto de vista dessas mais de 27 mil pessoas que percorrem as ruas de São Paulo seja correndo, trotando ou andando. Um bom exercício de olhar uma ação tão grande de perto para quem está acostumado a ver tudo de longe.

    No filme, é o ator Fernando Alves Pinto quem encara os 15 km da São Silvestre. Ele não é um personagem fictício e tampouco o depoente de um documentário. O que acompanhamos na tela é um homem enfrentando as sensações e obstáculos da corrida em pouco mais de uma hora de filme, literalmente. De dentro do circuito, vemos de perto a diversidade de personagens que compõem a corrida fazendo aquilo que se propuseram: participar. Sem porquês ou mensagens explícitas, São Silvestre está muito mais preocupado em transmitir uma experiência do que em conceder explicações, o que alcança com louvor através de seus takes criativos captados por câmeras móveis e o engenhoso desenho de som que compõe sua atmosfera.

    A falta de personagens e diálogos ao longo do filme pode causar certo estranhamento com o passar do tempo, o que transforma São Silvestre em pequena escala em uma experiência solitária como a própria corrida. Mas com sensibilidade e leveza, Lina Chamie coloca a própria cidade de São Paulo como uma das grandes protagonistas da história, com suas ruas transformadas no último dia do ano e alguns de seus pontos turísticos revisitados no trajeto, que tantas vezes são ignorados pela correria do dia a dia.