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    SE NADA MAIS DER CERTO

    <p>Belmonte não tem medo de encarar seus personagens de forma íntima</p>
    Por Angélica Bito
    13/08/2009

    Se Nada Mais Der Certo é o quarto longa-metragem de José Eduardo Belmonte, que, aos 39 anos, imprime visíveis marcas na cinematografia brasileira. Seus dois primeiros filmes - Subterrâneos (2003) e A Concepção (2005) – foram rodados em Brasília; em 2007, voltou à cidade de São Paulo no independente Meu Mundo em Perigo para, com Se Nada Mais Der Certo, manter-se na mesma cidade, uma escolha geográfica que mostra-se claramente refletida na tela não somente pelas ambientações, mas também na definição dos próprios personagens.

    Em especial na obra de Belmonte, a questão do local é de extrema importância, já que ele desenvolve tramas que só poderiam ocorrer onde ele filma, o que ele já mostra em seu primeiro filme: Subterrâneos se passa no Conic, centro comercial localizado no centro de Brasília que reúne escritórios comerciais, igrejas, bares, puteiros e lojas de camisetas legais, de uma forma que somente quem vai lá e quem assistiu ao primeiro filme de Belmonte consegue ter ideia, mas jamais entender. Neste quarto trabalho em longa-metragem, os painéis de neon da rua Augusta ajudam a dar o tom às relações afetivas nutridas entre os personagens do longa.

    Leo (Cauã Reymond) é um jornalista que sobrevive em São Paulo sem ter muito sucesso. A profissão é difícil, sabemos, e a cidade grande é capaz de devorar quem não está apto a viver nela. Em sua casa, vivem a empregada (que evidentemente não recebe salários há meses, mas continua lá para ter onde dormir), uma jovem que sofre de bulimia (Luiza Mariane) e seu filho pequeno – cuja relação com o protagonista não fica muito bem definida. O envolvimento com Marcin (Caroline Abras) leva Leo a participar de golpes e negócios ilícitos a fim de melhorar suas condições de vida, que nunca dão certo, afinal.

    Em comparação a A Concepção, longa anterior de Belmonte que conseguiu chegar ao mercado comercial, Se Nada Mais Der Certo tem uma certa leveza, embora seus personagens transitem em situações complicadas, pesadas. O filme de 2005 passa uma urgência violenta, provocativa, enquanto este traz a delicadeza das relações afetivas.

    As imagens de Se Nada Mais Der Certo trabalham muito com o foco e a falta dele. Os personagens são encarados pela câmera de perto. Aliás, o filme não tem medo de encarar seus personagens de forma íntima, relação desempenhada pela proximidade das lentes de Belmonte. Com belas atuações, uma trama densa, desenvolvida de modo intenso, o filme é uma crônica de pessoas perdidas na cidade de São Paulo, esmagadas pela grandiosidade da grande metrópole.