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    SE NÃO NÓS, QUEM?

    Drama histórico recupera radicalização política na Alemanha nos anos 60 e 70<br />
    Por Heitor Augusto
    10/11/2011

    O título já indica do que se trata o drama de Andrés Veiel: uma geração que quer se tornar protagonista de seu momento histórico. Anos 60 e 70, o fantasma da volta dos conservadores na Alemanha Ocidental e o radicalismo de grupos políticos. O momento em que os filhos indignados dos pais que aderiram ou sucumbiram ao Führer saíram da toca.

    O didatismo de Se Não Nós, Quem? é justificável, mas tem efeito daninho. Há a preocupação de explicitar ao público mais jovem que a década de mudanças não pode ser entendida tão preto no branco, assim como o fantasma do nazismo na sociedade alemã. Esforço da produção em ressaltar que 2011 não é 1968.

    Por outro lado, tal rigidez na estrutura prejudica a fluidez do filme, tornando-o uma espécie de revista histórica que passa pelos principais acontecimentos entre 1950-70, centrando atenções na contraditória geração que partiu para a luta armada para denunciar a fragilidade da democracia alemã, recém saída dos efeitos de Hitler.

    Temos, então, um filme de tese, com bons e maus momentos, cenas interessantes ao lado de outras supérfluas. Um filme cuja importância está mais na existência do que no resultado. Explica-se: é necessário falar sobre absurdos do passado para que eles não se repitam, ou seja, é bem-vinda a iniciativa de realizadores alemães de revisar seu passado recente. Assim como é saudável o esforço do cinema chileno em falar das sequelas da ditadura em Nostalgia da Luz, do italiano sobre o fascismo em Vincere ou do brasileiro com a mais recente Ditadura Militar em Cidadão Boilesen.

    Relevância social, porém, não é a única qualidade ontológica do cinema.

    Drama histórico

    Se Não Nós, Quem? é a outra face da moeda que tem estampada O Grupo Baader Meinhof. Ambos baseados em passagens reais, trazem personagens que se intercambiam.

    No primeiro, o foco está no jovem estudante Bernward (August Diehl) e sua namorada Gudrun (Lena Lauzemis), amigos de faculdade. Ele quer montar uma editora para publicar autores próximos ao nazismo e condenados ao ostracismo – entre eles, seu pai. Ela pretende se tornar professora. Mas a História bate à porta dos dois e a relação aparentemente linear sofrerá reviravoltas.

    À reconstituição ficcional adicionam-se cenas de arquivo. Desfile de John F. Kennedy, bombardeio norte-americano de Napalm, explosão de uma loja como contestável ato político. Tudo ilustrado com mês e ano, para o espectador não se perder.

    A crucial diferença entre um e outro está na dimensão psicológica que O Grupo Baader Meinhof consegue dar, mas Se Não Nós, Quem? deixa a desejar.

    Produção impecável, Direção de Arte exímia em recriar atmosfera, bem como a fotografia na criação de cores. Contudo, essas qualidades técnicas não fazem de Se Não Nós, Quem? algo além do que um sobrevoo superficial nas escolhas de uma geração.