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    SEGUINDO EM FRENTE

    Entre sorrisos e lágrimas, o espectador é envolvido pelo desenho delicado do filme
    Por Angélica Bito
    24/10/2009

    O cineasta japonês Hirokazu Kore-eda já é um queridinho dos espectadores que acompanham a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Seus filmes sempre são exibidos no evento paulistano e, em 2007, ele fez parte do Júri Oficial, momento em que anunciou pretender filmar no Brasil. Nada mais justo, já que a maior concentração de imigrantes e descendentes de japoneses fora do Japão está no Brasil.

    Este ano, Seguindo Em Frente (2008) é o filme do diretor em cartaz na Mostra. Como é natural nos dramas japoneses, este longa consegue emocionar o espectador apelando pelas coisas simples da vida. Simplicidade que, num olhar mais atento, revela a complexidade da própria essência humana.

    O centro da ação está na família Yokoyama, que vive numa pequena cidade junto à costa. A mãe (Kirin Kiki) cuida de todos com atenção, inclusive do pai (Yoshio Harada), que, aposentado, parece estar no fim de sua vida. Desanimado com tudo, desiludido, prefere ficar em seu escritório lembrando do tempo em que comandava a clínica médica local. Mas um evento faz com que os filhos (Hiroshi Abe e You, a mãe das crianças em Ninguém Pode Saber, outro filme de Kore-Eda), que moram longe dos pais e seguem com suas próprias vidas, tornem a visitá-los.

    Inicialmente, existe a alegria de reunir a família novamente, o que ocorre pelo menos uma vez por ano. A mãe preparara um banquete para os filhos, enquanto conversam sobre antigas histórias da família. Existe um toque cômico nessa reunião, principalmente por conta da mãe, uma mulher que pouco tem do distanciamento e a economia de palavras tipicamente japonesa – o contrário do pai, cada vez mais solitário em sua decepção com a vida. No entanto, na medida em que o filme avança, descobrimos que existe uma questão dolorida na família, jamais esquecida mesmo uma década depois.

    Seguindo Em Frente é um filme simples, pequeno, mas que tem força ao tratar de uma forma extremamente delicada e honesta os sentimentos humanos, o que o torna muito maior do que parece ser. A narrativa é pela questão cultural japonesa da adoração aos mortos – mostrada por meio dos rituais simbólicos que os japoneses mantém, como o altar, botsudan, que as casas mantém para seus mortos, e as visitas constantes aos túmulos de seus parentes. Mas o filme não é somente sobre morte, mas, principalmente, como a vida segue depois da morte. Seguindo Em Frente trata com delicadeza sentimentos universais, humanos, independentes da cultura, como os laços familiares, as expectativas com as quais crescemos, a superação da morte e como cada geração é capaz de carregar não somente as heranças materiais, mas principalmente as espirituais vindas dos pais. A situação junta três gerações de uma família, de forma a mostra como algumas coisas evoluem na medida em que o tempo passa, ao mesmo tempo em que outras seguem as mesmas.

    Entre sorrisos por conta de personagens muito carismáticos e lágrimas, o espectador é envolvido pelo desenho delicado que Kore-Eda faz de uma família japonesa, que poderia ser a minha ou a sua. “A sua família nunca foi normal”, diz a mãe em dado momento do filme. E qual é?

    Seguindo em Frente (Aruitemo Aruitemo), de Hirokazu Kore-eda
    Dia 23/10 (sexta-feira), Frei Caneca Unibanco Arteplex 4, 18h10
    Dia 24/10 (sábado), Cinema TAM – Sala paris, 19h
    Dia 29/10 (quinta-feira), Cinemateca – Sala BNDES, 14h30
    Dia 31/10 (sábado), Cine Bombril 2, 21h20
    Dia 3/11 (terça-feira), Cine Marabá, 14h