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    SELVAGENS

    Mesmo com trio de protagonistas pouco interessante, filme compensa com coadjuvantes atraentes
    Por Roberto Guerra
    03/10/2012

    O novo filme de Oliver Stone não traz nada de novo sobre o mundo do tráfico de drogas. Retrata como o comércio ilegal de entorpecentes é cruel na disputa por um dos mercados mais lucrativos do mundo. Os mocinhos do longa, Chon (Taylor Kitsch) e Ben (Aaron Johnson), descobrem isso quando recebem a proposta de um cartel mexicano interessado na ótima qualidade da maconha cultivada por eles em estufas nos Estados Unidos.

    A oferta de parceria não é bem uma oferta, mas uma imposição. O Cartel de Baja precisa da droga de Chon e Ben para manter seu poderio. Quando negam a proposta milionária, provocam a ira da chefona do bando, a durona Elena Sanches (Salma Hayek), que sabe bem como convencê-los do contrário: sequestrar O (abreviação de Ophelia, nome que a bela moça interpretada por Blake Lively despreza), a namorada queridinha da dupla e narradora dos acontecimentos retratados no filme.

    Aqui reside um dos problemas de Selvagens: a explanação dos fatos por O. Ela é uma menina mimada, rica e fútil cuja vida se resume a transar com Chon e Ben (juntos ou separados), fumar maconha e fazer compras em lojas de grifes. Fica difícil acreditar que alguém tão frívolo consiga ter o entendimento completo e detalhado dos fatos que narra, mesmo que o faça com certo otimismo e um viés pseudofilosófico tolo. Ela só parece ter os pés no chão quando afirma não necesessariamente ter escapado viva, apesar de estar contando a história.

    Após o sequestro de O, Elena faz nova proposta: ela pode sair livre após um ano se seus namorados aceitarem o acordo original, mas agora com um corte em seus lucros. O problema é que Chon e Ben sabem que a frágil O não aguentaria ficar em cativeiro por tanto tempo. Resolvem então entrar em ação para salvar a namorada de imediato, o que inclui um plano maluco de roubar dinheiro do próprio Cartel de Baja e oferecê-lo como pagamento pela moça. Para isso, Chon, um ex-SEAL, conta com a ajuda de seus ex-companheiros de guerra no Afeganistão.

    O trio central de protagonistas não é o forte de Selvagens, mas o roteiro mais do que compensa isso com alguns personagens de apoio interessantes, como Elena, que assumiu o controle após o assassinato de seu marido e de um de seus filhos, e cuja filha (Sandra Echeverría) vive na Califórnia e tem vergonha dela. Há também seu braço direito Lado (Benicio Del Toro), um assassino cruel e um tanto psicótico que mata um ser humano com a mesma facilidade que se livra de uma mosca. Um tipo estranho que tentamos decifrar ao longo do filme, mas não conseguimos, e que nos deixa sempre com a sensação que algo inesperado pode acontecer quando entra em cena. Numa sequência em que invade de casa de Dennis, um agente federal corrupto vivido por John Travolta, notamos que muda de ideia diversas vezes sobre matar ou não o policial, como se o crime em si fosse o que menos importasse.

    Mesmo não sendo brilhante nem inovador, Selvagens é bem filmado e sua trama segura a atenção até a subida dos créditos finais. Seu demérito está nos supérfluos, como, por exemplo, o fato de O ter de dar satisfação de seu paradeiro, mesmo no cativeiro, para sua mãe invisível, e as duas opções de final apresentadas, numa espécie de "o público decide". Ainda assim, vale como diversão despretensiosa.