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    SEM SAÍDA (2011)

    Cópia juvenil de <em>A Identidade Bourne</em>, filme repete clichês do gênero de ação<br />
    Por Heitor Augusto
    19/09/2011

    Sem Saída é uma juvenil mistura de O Fugitivo, O Procurado, A Identidade Bourne e Busca Implacável. Seu grande problema é um roteiro que não consegue escapar dos clichês dos filmes de ação.

    Robert McKee, o contraditório Papa do roteiro conservador (aquele que consagra o desenvolvimento dos três atos), costuma dizer que a chave para um bom filme de ação está na solução da sequência final, em que o herói encara o vilão. Se fizermos essa leitura no longa-metragem protagonizado por Taylor Lautner Sem Saída já mostra logo de cara sua fraqueza.

    Reciclando a narrativa do videogame (que, por si só já se apropriou demais do cinema), o filme apresenta Nathan (Lautner), um adolescente aparentemente normal que, lá pelos 15, 20 minutos de filme descobre que não é quem sempre achou ser. Começa então uma busca pela verdade e pela sobrevivência.

    Taylor Lautner continua com vontade expandir possibilidades de trabalho e ir além do lobisomem da franquia Crepúsculo. O garoto de 19 anos tenta arduamente mostrar-se como um ator de mais substância, mas não consegue ser nada mais que esforçado. Mas não é de todo sua culpa: Sem Saída não fornece muita ajuda.

    Usar seu charme juvenil para conquistar Karen (Lily Collins) ele até consegue. Porém, quando as cenas mais dramáticas pedem um pouco mais, o ator não dá conta. O plano é cortado para esconder deficiências. Mesmo assim, seria injustiça colocar nas costas do menino todas as debilidades do filme.

    Sem Saída começa bem, ambientando a vida de Nathan, seus amigos, familiares, colégio, paixão e dilemas. Ao descobrir que algo está errado, começa o jogo de gato e rato:

    Tem algo mais amador do que, em 2011, colocar um vilão de alguma nacionalidade “exótica” do leste europeu? Os russos do cinema da Guerra Fria são substituídos ou por árabes ou, no caso de Sem Saída, por sérvios. Este é o primeiro clichê.

    Após o primeiro terço, o filme torna-se uma repetição de obviedades. Vilão caricato, instituições oficiais sob desconfiança, parceira de fuga que vai se apaixonar etc. Com dois destaques absolutamente negativos. O primeiro está nos diálogos que repetem o que diz a imagem, subestimando a compreensão do espectador para os próprios códigos do cinema.

    O segundo é o personagem pífio de Alfred Molina, da CIA. O coitado do ator só faz três coisas durante todo o filme: andar para cima e para baixo com uma feição dramática, dar ordens e pronunciar diálogos que explicam a já explícita trama.

    Até mesmo a inteligente colocação de um pai durão cuja rigidez não parece fazer sentido para um filho tão boa praça é destruída pelo filme, que priva o espectador da oportunidade de juntar as peças do quebra-cabeça.

    Esta é a essência de Sem Saída: um filme quebra-cabeça no qual é velado ao espectador decifrar o mistério.