poster Sem Seu Sangue

SEM SEU SANGUE

(Sem Seu Sangue)

2019 , 104 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/10/2020

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alice Furtado

    Equipe técnica

    Roteiro: Alice Furtado, Leonardo Levis

    Produção: Aline Mazzarella, Edwina Liard, Frank Hoeve, Katja Draaijer, Matheus Peçanha, Nidia Santiago, Thiago Yamachita

    Fotografia: Felipe Quintelas

    Trilha Sonora: Orlando Scarpa Neto

    Estúdio: BALDR Film, Estudio Giz, Ikki Films

    Montador: Alice Furtado, Luisa Marques

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Digão Ribeiro, Ismar Tirelli Neto, Juan Paiva, Lourenço Mutarelli, Luiza Kosovski, Nahuel Pérez Biscayart, Silvia Buarque

  • Crítica

    15/10/2020 09h30

    Por Thamires Viana

    Sem Seu Sangue, primeiro longa-metragem da diretora carioca Alice Furtado, é intenso em sua história e singelo nos detalhes que a cercam. De forma singular, a produção retrata a intensidade de se viver um primeiro amor, mesclando sensações, desejos e impulsividade comuns a esse sentimento.

    Na trama, acompanhamos a história de Silvia, personagem de Luiza Kosovski, uma adolescente introspectiva e desinteressada pela rotina que acredita ter encontrado em Artur, vivido por Juan Paiva, algo que a faça se sentir mais viva. 

    O encontro é marcante e desperta nela um misto de adrenalina e curiosidade, já que Artur traz em si um ar de mistério que instiga Silvia. O jovem casal mergulha em um relacionamento intenso e delicado, até que ela descobre que ele sofre de hemofilia, uma doença hereditária que impede o sangue de coagular corretamente. O amor é interrompido por um grave acidente que abala e muda para sempre a vida de Silvia.

    Sem Seu Sangue é daqueles filmes que instigam o espectador a cada cena e diálogo, inserindo elementos que mudam o rumo da trama e revelam a criatividade de seu roteiro e direção. Alice Furtado, que roteirizou o longa em parceria com Leonardo Levis, usa meios de ampliar sua abordagem para temas ainda mais complexos.

    Dando início como um drama envolto a doenças e desamparo, vemos o roteiro assumir uma outra posição no final do segundo ato, partindo para uma abordagem mais sombria que beira o terror. Trazendo referências do horror clássico como os filmes de Jacques Tourneur e da literatura de Stephen King, Sem Seu Sangue se firma como um filme sobre as fases do luto e o desespero de uma jovem que não aprendeu a lidar com a perda.

    No papel de Silvia, Luiza se entrega intensamente com trejeitos, olhares e diálogos, fazendo sua personagem cada vez mais retraída dentro de uma mente que não sabe bem como externar os próprios conflitos e sentimentos. O desespero causado pela ausência de amparo na jovem justifica suas atitudes em relação a esse intenso e verdadeiro amor que encontra em Artur.

    Juan, conhecido por papéis em novelas como Malhação: Viva a Diferença e Totalmente Demais, entrega para Artur uma atuação convincente de um jovem que se revolta com as limitações causadas pela doença. É um trabalho envolto em olhares e gestos que quase sempre dispensam os diálogos.

    Sem Seu Sangue, exibido na Quinzena dos Realizadores do 72º Festival de Cannes, na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2019, e no Festival Internacional de Cinema do Rio, chega aos cinemas como algo repleto de singularidades no audiovisual brasileiro, mostrando que mesclar gêneros e elementos diversos pode ser assertivo e espetacular.



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