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    SENNA

    Uma boa opção para os brasileiros que aguardavam Ayrton nas manhãs de domingo.<br />
    Por Amanda Carvalho
    11/11/2010

    Contar a vida de um ídolo nos cinemas tem o lado positivo de facilidade de aceitação, mas a exigência e cobrança também são grandes. Os britânicos Asif Kapadia (diretor) e Manish Pandey (roteirista) toparam o desafio de retratar a carreira de Ayrton Senna. Deixar que a história fosse conduzida pelas imagens ainda inéditas é uma das melhores opções de linguagem para documentários, mas a dupla exagerou ao utilizar apenas esse recurso.

    Senna mostra o início do piloto, nas corridas de Kart, passando pela estreia na Fórmula 1 e a ascensão a ídolo e ao título de melhor do mundo, disputado ferrenhamente com Prost.

    Dar espaço para que Senna narre seus desafios e descobertas por meio de imagens de arquivo dão o tom realista, valorizando a intensidade de tudo o que foi dito à época dos fatos. Se isto não fosse feito, de certo perderia forças ao captar discursos atuais do piloto francês Alain Prost, que protagonizou com Senna a maior rivalidade da F1.

    O documentário também dá espaço para que os personagens reais ganhem ares de narrativa fictícia, assumindo os papéis de mocinhos e vilões em meio a toda politicagem que domina as equipes de corrida. Não precisa nem dizer quem era quem nesta história. O documentário podia, inclusive, ter em seu título uma referência direta a Prost já que, parte dos momentos de clímax, tem o envolvimento do baixinho reclamão.

    Senna apresenta duas falhas responsáveis pela perda de estrelinhas. A primeira, como dito no início, foi permitir que a falta de imagem – esse foi o argumento usado pelo diretor – deixasse um buraco na história de rivalidade e apaziguamento da relação entre Senna e Prost. Num momento os dois se odiavam, se ofendiam em frente às câmeras e se boicotavam. Noutro, estão lado a lado, sorridentes. Tudo acontece num curto período de cerca de 10 minutos e fica a pergunta no ar: mas, como assim, eles não se detestavam? Injustificável, mister Kapadia.

    O segundo ponto fraco é a forma branda com que é tratado o extremo espírito competitivo de Ayrton Senna. As imagens de quando Senna bate no carro de Prost, em 1989, para impedi-lo de terminar a corrida e ser campeão são apresentadas tal qual uma mãe rindo do filho arteiro. A opção de Pandey e Kapadia também tem uma explicação – esta, mostrada com a comoção social após a morte de Ayrton, em 1994. Não que seja justificável, mas como retratar defeitos de um homem vítima de acidente fatal e com o título de orgulho do Brasil?