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    SERES RASTEJANTES

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Nos anos 50, quando um novo invento chamado televisão invadiu os lares americanos, o público que costumava freqüentar o escurinho do cinema se dividiu: os mais maduros preferiram ficar em casa apreciando a novidade, o que ocasionou o fechamento de milhares de salas de exibição em todo o país. E os mais jovens pegaram seus carrões rabo-de-peixe e passaram a curtir os drive-ins, enormes projeções ao ar livre onde o filme era o que menos importava. Nos bancos dos carros, muito hambúrguer, amassos e refrigerantes. Nas telas, monstros, zumbis e bolhas assassinas.

    Tudo isso para dizer que Seres Rastejantes nada mais é do que uma homenagem aos divertidos trash movies dos drive-ins daquela época. A idéia é do diretor estreante e roteirista de Madrugada dos Mortos James Gunn, e a história vem - propositalmente - recheada de todos os clichês do gênero. Veja: um meteoro vindo de outro planeta cai numa cidadezinha provinciana do interior dos Estados Unidos, espalhando pelo lugar os embriões de nojentas lesmas alienígenas que precisam do corpo humano para se reproduzir. E tem mais: os terráqueos contaminados passam a se comportar como zumbis sedentos de sangue. Não faltam a clássica cena do chuveiro, o interruptor de luz que não acende, o carro sem a chave no contato, o prefeito corrupto, a pausa no meio da ação para explicar o que está acontecendo, enfim, pense em qualquer clichê dos "filmes de drive-in" que ele estará em Seres Rastejantes. Num momento nostálgico, chega-se até a citar que os invasores poderiam ser os russos, numa referência escrachada à Guerra Fria que começou nos anos 50.

    Existe, porém, um grande problema: o humor é pouco. O filme é impossível de ser levado a sério (e nem esta era a intenção do diretor). Por outro lado, falta bom humor para que ele seja, pelo menos, apreciado como uma sátira ao gênero. Talvez funcione melhor em DVD, temperado com muita pipoca e refrigerante, num sábado à tarde. Com chuva.