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    SETE HOMENS E UM DESTINO

    Longa não dispensa clichês do faroeste, mas tenta inovar
    Por Iara Vasconcelos
    21/09/2016
    6/10

    SETE HOMENS E UM DESTINO

    Faroeste

    O faroeste é um gênero alicerçado em clichês: As paisagens desérticas, os vilões casca-dura, os saloons com o piano como música de fundo, os duelos, as "bolas de feno rolando", entre outros elementos quase obrigatórios. Por conta disso, o cineasta precisa sair fora da caixinha se quiser entregar uma história diferenciada.

    Em 1960, o diretor John Sturges tentou buscar inspiração em uma obra estrangeira para seu novo filme. Afinal, uma cultura diferente poderia criar um apelo maior com o público. Foi aí que surgiu Sete Homens E Um Destino, um faroeste abertamente inspirado na produção japonesa Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, só que com o bom e velho "bang bang" no lugar das espadas.

    Agora, mais de 50 anos depois, Hollywood lança um remake sobre os justiceiros que salvaram um vilarejo das mãos de um ganancioso bandido. O que faltou para o novo Sete Homens E Um Destino foi se reinventar, já que todos os outros elementos de westerns estão lá.

    O longa começa com a chegada do bandidão Bogue (Peter Sarsgaard), que destrói tudo o que encontra pela frente como recado para os moradores da cidade: rendam-se ou sofram as consequências. O motivo? O lugar é uma verdadeira mina de ouro, pronta para ser explorada pelo antagonista.

    Em meio à confusão, a jovem Emma Cullen (Haley Bennett) vê seu marido ser assassinado a sangue frio. Ávida por vingança e justiça, ela entrega todo o dinheiro que tem para o caçador de recompensas Sam Chisolm (Denzel Washington), que recruta o seu "esquadrão suicida" composto pelo mulherengo Josh Farraday (Chris Pratt), o lendário Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), o lunático sanguinário Jack Horne (Vincent D'Onofrio), o misterioso chinês Billy Rocks (Byung-hun Lee), o mexicano Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo) e o nativo americano Red ­Harvest (Martin Sensmeier).

    A história começa lenta e pouco interessante, mas aos poucos vai crescendo com a ajuda do carisma de Washington e Pratt, que praticamente roubam a cena. Aliás, é uma pena que os demais personagens tenham sido tão mal explorados e reduzidos à suas etnias.

    Isso porque o diretor Antoine Fuqua (Dia De Treinamento) resolveu que seria uma boa ideia mostrar representatividade no elenco e incluiu um chinês, um mexicano e um nativo americano no grupo, que na primeira versão era formado majoritariamente por atores brancos, só esqueceu de não transformar seus personagens em estereótipos ambulantes.

    Com um discurso inclusivo de "nós nos completamos em nossas diferenças", cada um usa de sua melhor habilidade para armar uma emboscada para Bogue (mesmo que para isso seja preciso explodir a cidade inteira). Ou seja, enquanto o indígena usa flechas, o asiático lança facas e espadas e o mexicano fala "ai, caramba!".

    Entretanto, há um detalhe mais difícil ainda de ser digerido. A cena em que o vilão chega com seus capangas e ataca o grupo com bombas e uma metralhadora deixa inúmeros mortos, mas com uma quantidade mínima de sangue. A estratégia talvez tenha sido usada para conseguir a classificação indicativa de 13 anos nos Estados Unidos, mas definitivamente se torna incômodo para o espectador.

    Sete Homens E Um Destino consegue entreter o suficiente, com atos bem coreografados, diálogos leves e uma boa dose de emoção. Apesar de não trazer nada de novo em comparação ao longa de 1960, pode acalmar os corações nostálgicos dos entusiastas de faroeste.