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    SEXO SEM COMPROMISSO

    Filme segue as convenções-padrão das comédias românticas e não acrescenta nada de novo
    Por Roberto Guerra
    15/03/2011

    Houve uma época em Hollywood em que a possibilidade de um estúdio financiar um filme com a premissa do longa Sexo Sem Compromisso seria impensável, ou pouco provável. A sempre alerta moralidade estadunidense receberia escandalizada uma produção cuja questão proposta é: seria possível fazer sexo regularmente com um amigo sem se envolver afetivamente?

    Estamos no século 21 e tratar do tema não é mais problema. Pode-se falar de tudo no cinema americano. E, sem patrulha moral (será?), somos apresentados a Emma (Natalie Portman) e Adam (Ashton Kutcher), dois jovens que resolvem fazer um trato: manter um relacionamento sexual livre de cobranças e manifestações de afeto. Sexo, apenas sexo.

    Depois de alguns flashbacks tolos em que ficamos sabendo que Emma e Adam se cruzaram ao longo dos últimos 15 anos (em geral em circunstâncias embaraçosas ou pouco críveis), chegamos ao presente para encontrar Adam desnorteado depois de descobrir que seu pai, o ex-astro da TV Alvin (Kevin Kline), está tendo um romance com sua ex-namorada.

    Depois de uma noite de bebedeira (dispensável em seus detalhes bobos e supérfluos), é no apartamento que a independente Emma divide com outros residentes que Adam acorda nu no sofá da sala. Entra em cena o elenco de apoio, que não compromete, mas alimenta subtramas desnecessárias ao longo do restante do filme. O que segue é a primeira transa do casal e, ato contínuo, o acordo de “sexo sem compromisso”.

    Neste ponto o filme torna-se mais que previsível, seguindo as convenções-padrão das comédias românticas que não arriscam acrescentar nada de novo ou inesperado ao espectador. O roteiro pouco inspirado da estreante Elizabeth Meriwether, cheio de diálogos fictícios e sem inspiração – é surpreendente como a autenticidade e senso de credibilidade são artigos desprezados em filmes do gênero -, alia-se à direção pouco sensível de Ivan Reitman para nos apresentar o que nosso detector de obviedades já antecipou.

    Sinto-me na obrigação, no entanto, de aliviar a mão. Sexo Sem Compromisso não é, de forma alguma, o que de pior se vê por aí quando o assunto é comédia romântica. O filme está bem no meio. Há alguns bons momentos. Fagulhas que por vezes nos animam a pensar num incêndio. Mas as labaredas não vêm, fazendo com que o espectador tenha de se contentar mesmo com o fogo de palha.

    Não posso acabar essa crítica sem falar de Natalie Portman, que acabou de receber (merecidamente) um Oscar por sua atuação em Cisne Negro. Como é bom vê-la na tela. Segura e eficiente, mesmo quando obrigada a fazer cenas infelizes. Não há química no casal formado por ela e Kutcher. Culpa de Kutcher. Não há tesão nas cenas de sexo que tem de protagonizar. Culpa de Reitman. Não há veracidade em alguns diálogos que tem de sustentar. Culpa de Meriwether. Natalie não tem culpa de nada.