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    SHERLOCK HOLMES

    O resultado é um entretenimento divertido e muito bem produzido<br />
    Por Celso Sabadin
    18/12/2009

    Sherlock Holmes, um dos primeiros candidatos a blockbuster a estrear em 2010, é um filme muito gostoso de ser visto. Mas que tem muito pouco - quase nada - a ver com o personagem criado por Arthur Conan Doyle. O Sherlock deste novo filme vem totalmente repaginado, longe do conceito clássico do detetive que resolve seus casos apenas fumando seu cachimbo, e amparado exclusivamente pelo seu forte poder de dedução. Agora, temos um Sherlock que briga, que dá socos e pontapés com total eficiência, de muita ação física, e capaz de escapadas magníficas típicas de um Indiana Jones. Ah, o poder de dedução permanece. Ufa!

    Mas se o personagem é tão tão tão distante do original, por que ele - e o filme - se chamam Sherlock Holmes? Por que simplesmente não assumir que é um personagem novo? É uma simples questão financeira. Produzir um filme é caro. Produzir um candidato a blockbuster é mais caro ainda. Talvez, só exista no cinema moderno uma única coisa mais cara que produzir um candidato a blockbuster: divulgar um candidato a blockbuster.

    Assim, não é à toa que os grandes estúdios estão sempre à procura de nomes que já tenham, de antemão, alguma forte identificação com o público, para que estes mesmos nomes sejam transformados em filmes. A conta é simples: na hora de pagar uma campanha de marketing, é menos caro divulgar um filme com nome já famoso - Batman, Homem-Aranha, Shrek, Star Wars, etc, etc, etc... Sherlock Holmes - do que começar tudo do zero, divulgando um nome de algum personagem que ainda tenha de ser apresentado ao grande público. É o bom e velho conceito de franquia.

    Mas, voltando ao filme propriamente dito, a trama começa mostrando o novo Sherlock (Robert Downey Jr., ótimo como sempre), meio chateado com seu fiel escudeiro Watson (Jude Law, outro grande protagonista). Motivo: Watson está prestes a se casar e a abandonar o mundo das investigações. É neste contexto de despedida que a famosa dupla vai tentar resolver o mistério de Lord Blackwood (Mark Strong, também bastante eficiente como vilão), um poderoso político inglês preso e condenado por assassinato, mas que continua aterrorizando Londres mesmo após o seu enforcamento.

    Os fãs de Guy Ritchie podem ficar sossegados: o diretor continua utilizando aqui o mesmo estilo que o consagrou em seus trabalhos anteriores como Snatch - Porcos e Diamantes ou Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. Ou seja, muita ação, cortes de grande rapidez, enquadramentos diferenciados, ritmo incessante e uma estética bastante influenciada pela narrativa de histórias em quadrinhos. E - claro - sarcasmo, muito sarcasmo. Boa parte dos méritos do filme reside em seus diálogos afiadíssimos e irônicos. Direção de arte e fotografia atuam em conjunto para criar com bastante eficiência uma Londres ao mesmo tempo imponente, majestosa, sombria e assustadora, em tons de preto e azul escuro. Enquanto a trilha de Hans Zimmer busca sair do convencional e se apoia num belo trabalho baseado em cordas (mesmo porque o protagonista se inspira tocando violino). Porém, como vem acontecendo com os blockbusters, trata-se novamente de uma trilha que não dá sequer um minuto de silêncio aos ouvidos da plateia.

    O resultado é um entretenimento divertido e muito bem produzido. Escapismo de primeira linha feito sob medida para curtir nas férias, desde que não se exijam coerência e realismo na trama... elementar meu caro leitor.