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    SHERLOCK HOLMES: O JOGO DE SOMBRAS

    Filme conta com roteiro melhor trabalhado, mas peca pelas explicações excessivas<br />
    Por Paulo Gadioli
    12/01/2012

    Fãs de Guy Ritchie, não temam. Não será desta vez que o cineasta britânico os decepcionará. Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras brinca inteligentemente com os elementos apresentados em seu antecessor e, com a adição de um belo elenco e um intrigante vilão, ganha força para não ser apenas mais uma continuação. Peca, porém, nas explicações excessivas e desnecessárias.

    Embora maior que Sherlock Holmes, tanto em escala quanto em qualidade, este segundo filme da franquia falha ao padecer do mesmo mal que afligiu diversos outros blockbusters recém-lançados: a falta de confiança na inteligência de sua plateia. A relação entre Holmes e seu arqui-inimigo Moriarty é forte, mas cada mínimo detalhe é explicado minuciosamente, seja por flashbacks ou pela montagem, não deixando qualquer espaço para deduções próprias.

    É compreensível que o diretor tenha optado novamente por esta abordagem, já que trata-se de um filme criado, principalmente, para fazer dinheiro. Mas, levando em conta a icônica figura do detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, talvez deixar a plateia trabalhar um pouco para entender o que está acontecendo não fosse má ideia.

    O duelo entre os dois principais personagens do filme, inclusive, é o grande atrativo do longa. Por mais que o Sherlock Holmes vivido por Robert Downey Jr. tenha ganhado notoriedade por suas habilidades em uma briga, a batalha entre ele e Moriarty, excelente trabalho de Jared Harris, é praticamente toda cerebral, como se fosse um grande jogo de xadrez.

    No entanto, ao contrário do primeiro filme, este jogo de sombras possui sérias ramificações no mundo real, agora em escala global. Enquanto Moriarty move suas peças para tentar colocar o mundo em guerra, Holmes entra em estado de paranoia, achando as mais improváveis ligações nos mais desconexos fatos, tentando desvendar o plano de seu rival sem se deixar levar pelas inúmeras pistas falsas que o vilão apresenta.

    Durante essa busca surge outro reforço de peso no elenco: Noomi Rapace. Fazendo aqui sua estreia nos filmes de língua inglesa, interpreta a cigana Sim, mulher que, sob as mais inesperadas circunstâncias, torna-se parceira de Holmes e Watson durante a investigação. Além dela, o outro grande destaque é Stephen Fry, responsável por dar vida a Mycroft Holmes, o irmão mais velho – e mais inteligente – de Sherlock. São deste veterano ator britânico alguns dos momentos mais hilariantes do longa.

    Esforçando-se para não ser apenas uma repetição, Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras com certeza irá agradar aqueles que gostaram de seu antecessor. Por contar com um roteiro melhor trabalhado e elenco em sintonia, o filme pode até mesmo trazer novos fãs à franquia.