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    SHREK

    Por Celso Sabadin
    22/06/2001

    Imagine a cena: Gepetto vendendo Pinóquio por dez moedas. Ou então Branca de Neve e Cinderela saindo no tapa por causa de um buquê de noiva. Pois estas cenas existem e podem ser vistas no hilariante desenho animado Shrek, já em cartaz nos nossos cinemas.

    Antes de falar do desenho propriamente dito, vale uma explicação de mercado: quando Steven Spielberg fundou os seus estúdios cinematográficos - a Dreamworks SKG -, ele estava fortemente determinado a concorrer com a poderosa Disney no lucrativo segmento de desenhos animados de longa-metragem. Para isso, ele convidou Jeffrey Katzenberg para ser seu sócio. Katzenberg era exatamente o executivo responsável pela longa fase áurea da Disney, em que sucessos como A Bela e a Fera, O Rei Leão e Aladdin foram produzidos. Dizem as publicações especializadas que a transferência de Katzenberg da Disney para a Dreamworks não teria sido nada amigável, abrindo feridas dos dois lados.

    Pouco tempo depois, ambos os estúdios lançaram nos cinemas desenhos muito parecidos entre si: Formiguinhaz, da Dreamworks, e Vida de Inseto, da Disney. O mercado falou em espionagem industrial. O clima entre as empresas piorou.

    Agora, com Shrek, a Dreamworks escancara de uma vez por todas os sentimentos de animosidade entre os dois estúdios. O filme é uma grande e divertida sátira ao estilo Disney de se produzir desenhos animados e tem um roteiro que não poupa críticas contra a poderosa empresa de Mickey Mouse.

    Tudo começa quando Shrek – um ogro grande, feio, esverdeado e mal humorado - tem o seu pântano particular invadido por dezenas de personagens clássicos de histórias infantis. O Lobo Mau, os três porquinhos, Branca de Neve, os anões, Cinderela, Pinóquio, todos estão lá, para o desespero do monstrão, amante da solidão. Todos sem-teto, expulsos do reino pelo tirano Farquaad, um governante baixinho e complexado que precisa se casar com uma princesa de verdade para ser considerado de fato rei. Pelo menos foi isso que lhe disse o famoso espelho mágico da rainha má, devidamente confiscado do castelo da megera.

    Disposto a se casar, Farquaad pede a Shrek que ele saia em busca da bela princesa Fiona, que estaria presa na torre de um castelo e guardada por um terrível dragão. Como recompensa, Shrek teria de volta a paz e a privacidade de seu pântano. Começa então a saga do ogro em busca da princesa encantada. Pelo caminho, as mais inusitadas situações e os mais divertidos personagens vão garantir as gargalhadas dos espectadores. Principalmente daqueles que souberem captar as sutilezas das várias alfinetadas que o desenho da Dreamworks dispara contra o universo Disney.

    Alguém poderia perguntar como a Disney permitiu que personagens tão famosos como Pinóquio ou Branca de Neve fossem utilizados no desenho da concorrente. Não é bem assim. Vale lembrar que quase todos os personagens retratados nos longas de animação da Disney são clássicos de domínio público, criados em século passados e, portanto, não sujeitos a direitos autorais.

    Divertido, politicamente incorreto, corajoso e sem medo de ousar, Shrek é um desenho que talvez agrade mais aos adultos que às crianças. Nos Estados Unidos, ele já alcançou a impressionante marca de US$ 197 milhões de faturamento, superando blockbusters como O Retorno da Múmia, Pearl Harbor e – certamente – o recém-estreado Atlantis, novo desenho... da Disney. É a vingança de Katzemberg, concretizada também no ponto mais sensível dos estúdios: o bolso.

    Na versão dublada, a voz de Shrek é dublada pelo humorista Bussunda.

    18 de junho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br