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    SICARIO: TERRA DE NINGUÉM

    Realismo e ótimas atuações são as armas desta produção
    Por Daniel Reininger
    22/10/2015

    Realismo e ótimas atuações são as armas para transformar Sicario: Terra De Ninguém num interessante filme sobre crime – não a toa está cotado para o Oscar 2016, afinal a academia adora esse tipo de thriller. Isso não significa que o longa seja inovador, de fato não é, o longa possui uma história convencional, algo que já vimos em Dia De Treinamento e outras tantas vezes, a diferença é que dessa vez o assunto foi filmado com maestria por Denis Villeneuve (Os Suspeitos).

    O assassino vivido por Benicio Del Toro define o clima logo de cara: "Esta é uma terra de lobos". Neste filme sombrio, a única "mocinha" da história é Emily Blunt, agente do FBI usada pela CIA para legalizar as ações da agência em território Norte-americano. O Objetivo é derrubar um cartel de drogas mexicano a qualquer custo, mas Kate Macer (Blunt) se encontra no meio de uma guerra de atrito, na qual ambos os lados usam terror e selvageria como tática – algo bem diferente do que ela está acostumada a enfrentar como policial nos EUA.

    Colocar Emily Blunt como protagonista, que enxerga tudo de um ponto de vista único, sem nunca estar totalmente inserida na guerra, foi a grande sacada de Villeneuve, afinal seu profissionalismo e ética entram em conflito com o fato de ela querer fazer a diferença para ajudar o seu país. Tudo isso fica ainda melhor graças a impressionante atuação da atriz, capaz de arrepiar os espectadores nos momentos mais tensos.

    A personagem tem elementos de Clarice (Jodie Foster), de O Silêncio Dos Inocentes, e Maya (Jessica Chastain), de A Hora Mais Escura, afinal Kate luta para sobreviver num ambiente hostil e desconhecido, dominado por homens inescrupulosos, enquanto tenta permanecer fiel a suas crenças. A personagem é tão poderosa, que quando sai de cena o filme se torna genérico até demais. Além disso, não ajuda o fato do roteiro tratar como grande novidade o fato de existirem vilões nos dois lados da luta contra o crime – assunto já comum no cinema, o qual logo se torna cansativo nessa produção.

    Entretanto, elenco e bons diálogos ajudam a convencional história a se destacar. Além de Emily, Josh Brolin diverte como líder da equipe blasé e o ator britânico Daniel Kaluuya funciona como agente do FBI durão. Mas é Benicio Del Toro que chama mais atenção no elenco de apoio. Seu personagem, o misterioso Alejandro, é gradualmente revelado e a cada reviravolta ganha importância e peso. O ator interpreta com calma autoritária assustadora, capaz de compaixão genuína e, em seguida, de uma fúria incontrolável.

    O filme também se destaca tecnicamente. Villeneuve se junta novamente ao britânico Roger Deakins (Os Suspeitos) para entregar uma bela fotografia, com belos enquadramentos abertos e uso dramático de luz e sombra para acentuar as questões morais. Há também uma boa utilização de câmeras de vigilância, visão noturna e infravermelha, ferramentas que permitem desumanizar, de forma eficiente, os envolvidos na guerra. A trilha de Jóhann Jóhannsson (Foxcatcher), que mais parece ser de Hans Zimmer (A Origem), ajuda a dar peso à ambientação.

    No entanto, Sicário não é capaz de proporcionar a mesma sensação de desespero que filmes como Onde Os Fracos Não Têm Vez conseguem. Sem falar que falta profundidade: os mexicanos, com raras exceções, são apenas alvos para os americanos, tratados como capangas de filmes genéricos de ação, e até mesmo a crítica sobre o abuso de poder dos Estados Unidos é cansativa pela falta de novos elementos e discurso batido – que fazem dele, em última análise, um filme padrão sobre drogas e polícia corrupta.

    Apesar disso, como thriller sobre crime, Sicario: Terra De Ninguém cumpre muito bem sua função, especialmente por tratar do tema de forma realista. Como falado no início, grandes atuações e qualidade técnica são fatores capazes de justificar os elogios que essa produção tem recebido mundo afora e, com isso, colocá-la em destaque. Só que apesar do longa funcionar, ele tem elementos genéricos demais e, por isso, não pode ser considerado como o filme definitivo sobre o assunto.