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    SIN CITY 2: A DAMA FATAL

    Hiperssexualizada, sequência se apega demais ao visual
    Por Gustavo Assumpção
    25/09/2014

    O mundo mudou bastante nos últimos anos e Sin City: A Dama Fatal continuação do filme que alcançou certo sucesso em 2005, não acompanhou essa evolução. Machista, exageradamente violento e sem propósito, o novo filme de Robert Rodriguez (que teve codireção do criador, Frank Miller) oferece uma visão sexista e ultrapassada das mulheres justamente no momento em que a pauta feminista está tão em evidência.

    Quando Sin City - A Cidade Do Pecado foi lançado, o visual impactante que servia de base para toda a sua narrativa sustentava um roteiro que já apresentava problemas. A Dama Fatal repete essa mesma opção, privilegiando um apego exagerado ao visual e deixando na superfície aquilo que poderia ser seu grande diferencial: uma mensagem, algo a dizer.

    Essa sensação de falta de propósito é fruto de uma roteiro que nunca decola. Repetindo boa parte dos personagens do primeiro filme, como os interpretados por Bruce Willis, Mickey Rourke e Jessica Alba, o longa aposta em idas e vindas, contando uma série de histórias paralelas que se entrelaçam até se encontrarem no desfecho final. Apoiar-se em frases de efeito, em meia dúzia de cenas bonitas e, por vezes, inteligentes e em um humor ofensivo não esconde a visão preconceituosa daquilo que parece ser o elemento principal do que Frank Miller quis trazer ao protagonismo: a mulher.

    A tal Dama Fatal é vivida por Eva Green, atriz conhecida por cenas de nudez em filmes como Os Sonhadores e 300: A Ascensão Do Império. O grave aqui é que a construção de seu personagem repete aquele estereótipo duvidoso da mulher sedutora de corpo escultural que usa sua sensualidade para conseguir o que deseja. Para tal retrato, há um apego exagerado à nudez, que parece tornar seios à mostra e lingeries um elemento fundamental da história que é contada.

    Essa hiperssexualização se une a uma série de diálogos machistas e ao mesmo padrão do filme anterior: personagens que são meros acessórios, atuações monótonas e um certo cinismo irritante. É bem verdade que há também boas surpresas: Jessica Alba e Josh Brolin, por exemplo, estão confortáveis em seus papéis e oferecem os melhores momentos de um filme que precisa muito dessas sequências.

    Mas é difícil não se sentir desconfortável com as mulheres de A Dama Fatal. Seja quando são sexualizadas demais e por isso têm como esporte destruir o caráter de homens bonzinhos e inocentes (como a Ava de Eva Green), seja quando se tornam máquinas passionais por terem perdido seu grande amor (como a Nancy de Jessica Alba); este retrato simplista e questionável incomoda. Se você conseguir deixar de lado essa objetificação do feminino, talvez se divirta aqui e ali com essa adaptação exagerada e canastrona, exatamente o que se pode esperar de Frank Miller.