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    SINAIS

    Por Celso Sabadin
    20/09/2002

    Querendo ou não, gostando ou não, Sinais já é um grande sucesso de bilheteria: o filme ultrapassou a barreira dos 200 milhões de dólares e já está na lista dos 40 maiores faturamentos da história do cinema norte-americano. Por enquanto. Este é o aspecto mercadológico. E o artístico? E o cinematográfico? Estes são bem menos unânimes.

    Dividindo opiniões, Sinais narra o suspense de uma família (pai, filho, filha e tio) de agricultores no interiorzão dos Estados Unidos, que certo dia amanhecem apavorados por causa de gigantescos sinais circulares que surgem no milharal. "De novo, não!", diz o pai Graham (Mel Gibson). As crianças ficam atônitas. O tio (Joaquin Phoenix, de Gladiador) fica perplexo. Seriam aqueles sinais uma brincadeira de mau gosto de vizinhos arruaceiros ou verdadeiramente os alienígenas estariam desembarcando na Terra? Difícil saber para quem mora numa fazenda isolada de tudo e de todos e só tem a janela da televisão para se informar.

    Enquanto os personagens tomam contato - aos poucos - do que realmente está acontecendo, o espectador - também aos poucos - fica conhecendo mais sobre a assustada família Hess: o pai foi padre e abandonou a batina por causa de um grande desgosto pessoal. O tio era um esportista famoso. A garota, estranhamente, não consegue tomar nenhum copo d'água sem achar o gosto ruim. E o menino (Rory Culkin, um dos cinco irmãos de Macaulay Culkin) mantém um eterno ar de mistério no olhar. Não é bom falar mais sobre a trama para não estragar o clima de suspense.

    Sinais é rico na sua forma e pobre em seu conteúdo. Logo nos letreiros iniciais, a trilha vibrante de James Newton Howard faz referências rasgadas a Psicose, de Hitchcock. Será praticamente o único momento barulhento de todo o filme que se desenvolverá, a partir daí, num envolvente clima de medo.

    Como já havia demonstrado em O Sexto Sentido e Corpo Fechado, o diretor e roteirista M. Night Shyamalan (que também vive um papel importante no filme) demonstra um perfeito domínio de câmera e de ritmo cinematográfico. É hábil em conquistar a atenção do público, trabalha com talento os momentos silenciosos e o clima de mistério do roteiro. O próprio Hitchcock definia como ninguém as diferenças entre suspense (é quando o público sabe o que está acontecendo, mas os personagens não) e mistério (quando ninguém sabe). E Shyamalan joga muito bem com estes elementos.

    Porém, no final de tudo, sobra um gosto de decepção. A trama - que se prenunciava rica - se mostra rala e cabível num curta-metragem. Não exatamente um "muito barulho por nada", mas um "muito barulho por pouco".

    Talvez a impressão seja causada pela grande expectativa que os dois excelentes trabalhos anteriores do diretor geraram nos fãs de cinema. Uma espécie de Síndrome de Orson Welles (ou de Giuseppe Tornattore ou mesmo de Anselmo Duarte), pela qual o cineasta fica marcado pelo excesso de sucesso de um filme e acaba não dando continuidade à sua carreira dentro do mesmo padrão de excelência. Seria um "sinal" para Shyamalan?

    Quem curte cinema espera que não.

    19 de setembro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br