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    SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA

    Retrato de Manoel de Barros faz bem a alma, assim como a poesia. Obrigatório<br />
    Por Heitor Augusto
    14/01/2010

    O crítico e realizador Jean-Louis Comolli ficaria feliz em ver Só Dez Por Cento É Mentira. Afinal, o diretor Pedro Cezar dá uma aula de como embarcar e construir, junto de seu personagem, a mise en scène de um documentário.

    O filme fala sobre a poesia de Manoel de Barros, um dos mais simples e modernos artistas brasileiros, com versos dotados da alegria da infância, de imaginação desmedida, da humanização da coisa, do sentido nos restos, do olhar pouco viciado. Uma poesia compromissada apenas consigo mesma.

    A direção abriu o peito para se aproximar da essência da obra do poeta. Cezar se alimenta dessa busca, da criatividade que pertence às crianças e tem uma ótima capacidade de improvisação quando a entrevista não dá conta do sentido – ainda mais porque Manoel não é afeito a entrevistas.

    Só Dez Por Cento É Mentira tem uma textura linda, apaixonante. Alimenta-se da inquietação de seu personagem para trazer ao público um encantamento pela vida. Cezar entendeu, de verdade, o que escreve Manoel de Barros. Não é um entendimento racional, que teoriza ou explica, mas daquele tipo que bate, ou não, no peito. Aquele que comunica ao sensível.

    Nesse percurso de usar o cinema para ampliar o entendimento ou espichar horizontes, é impossível não comparar a trajetória dos dois Manoéis, o Barros – o poeta – e o Oliveira, o cineasta. Um com 93 anos, outro com 101 anos, ambos são modernos, joviais e inventivos. Inconformados com pré-classificações, preferem prestar atenção nas minúcias da vida.

    Esse é um dos sentimentos provocados não apenas pela observação do trabalho de ambos, mas incentivado pelo ótimo astral de Só Dez Por Cento É Mentira. Um filme que faz bem a alma, assim como a poesia. Na verdade, o documentário de Pedro Cezar é puro sentido. Poesia.