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    SOB O MESMO CÉU

    Novo de Cameron Crowe é otimista, mas longe de ser relevante
    Por Iara Vasconcelos
    10/06/2015

    Em Sob O Mesmo Céu, Cameron Crowe se apega novamente a alegoria do homem conflituoso em busca de sua essência e nada melhor para balançar suas estruturas do que um romance arrasador e inesperado, certo? Já vimos isso em Tudo Acontece Em Elizabethtown e Jerry Maguire - A Grande Virada, só que agora o galã solitário e incompreendido da vez é Bradley Cooper, um "tipão" que segue a linha dos filmes do cineasta.

    Na trama, o indicado ao Oscar por Sniper Americano vive o ex-veterano de guerra Brian Gilcrest, que após falhar em uma missão, precisa retomar sua credibilidade. Para isso terá que mediar negociação com o líder de um povoado havaiano, e antiamericano feroz, e colocar o satélite de um ganancioso multibilionário, interpretado pelo grande Bill Muray, em órbita. O que ele não esperava era reencontrar a antiga paixão de sua vida Tracy (Rachel Mcadams) e ter que lidar com a promissora, porém obsessiva, piloto da força área Allison Ng (Emma Stone).

    O elenco estrelado é o que garante um pouco de consistência ao longa. Stone se mostra tão confortável no papel da divertida Alisson que é difícil imaginar outra atriz em seu lugar, mas sua escolha gerou bastante polêmica, já que na obra literária, a piloto se gaba o filme inteiro por ser parte havaiana, parte chinesa e parte sueca. Crowe foi acusado de "embranquecer" a personagem e contribuir para a invisibilidade social de minorias. Intencional ou não, a escolha do cineasta se mostrou acertada pelo menos no campo da atuação e a interpretação da atriz proporciou divertidos momentos ao longo do filme.

    Cooper, que já acumula experiência no universo militar das telonas com Sniper, também se sai bem no papel de Brian. A trajetória do soldado, de homem fechado emocionalmente à saudosista obstinado a reconquistar o antigo amor e, por fim, loucamente apaixonado pela colega de trabalho que mais parece com um cão de guarda, entretém e é capaz de arrancar risinhos otimistas.

    Mas Crowe também não abandona seu lado sério e aborda questões mais pesadas na trama. Sob O Mesmo Céu critica a maneira descartável com que os ex-militares são tratados e de quebra ainda coloca o dedo na ferida ao mostrar a resistência de havaianos nativos em aceitar o American Way of Life e o capitalismo selvagem do país, que no filme é apresentado como danoso à cultura da ilha.

    Sob O Mesmo Céu não tem a intenção de ser uma obra-prima e nem conseguiria tal fato. A trama é fiel a estrutura das comédias românticas e o desenrolar de seus acontecimentos é prevísivel. Os assuntos criticos não são tratados de forma "sisuda", mas também não se aprofundam o suficiente para criar questionamentos válidos. No final, o filme acaba por ser mais uma distração para uma tarde chuvosa debaixo dos edredons.