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    SOBRENATURAL - A ORIGEM

    Terror deixa de fazer gancho com primeiro filme
    Por Pedro Tritto
    30/07/2015

    Depois de dedicar os dois primeiros filmes ao drama da família Lambert, que mostra um espírito assustador se ligando ao patriarca Josh (Patrick Wilson) desde a infância, a série Sobrenatural dava a impressão que podia cair na mesmice, trazendo histórias repetitivas e nem um pouco criativas.

    Querendo fugir disso, Leigh Whannell, um dos criadores da série Jogos Mortais que assume a direção nesse novo longa, tentou ser esperto ao colocar Sobrenatural - A Origem como um prelúdio do primeiro filme. Infelizmente, essa estratégia não deu certo, afinal de contas, vários pontos da história ficam em aberto e o longa não deixa claro qual rumo a franquia pretende tomar daqui para frente.

    Antes de tudo, é importante dizer que Whannel conseguiu construir algo independente dos longas anteriores, que permite quem nunca assistiu aos dois filmes anteriores entender perfeitamente a história. E isso é bom. No entanto, ao mesmo tempo, o espectador fica com a sensação de que a transição desse para o primeiro Sobrenatural poderia ser melhor. Mesmo com a volta de alguns personagens icônicos, não há gancho suficiente para entender melhor a introdução da família Lambert nesse universo.

    Quanto aos personagens que retornam, temos a volta da médium Elise Rainier (Lin Shaye), uma das mais queridas da série, e da dupla de "caça-fantasmas", Specks (Whannel) e Tucker (Angus Sampson). Esse resgate é bom, pois, apesar de serem coadjuvantes nos longas anteriores, eles se mostram importantes para o desenvolvimento da trama atual. Pena que as ligações com os filmes originais não vão muito mais além disso.

    Agora, quem comanda as ações é Quinn Brenner (Stefanie Scott), uma jovem que viaja quilômetros de distância para se consultar com Elise e fazer contato com a mãe morta. Aqui, já é possível ver uma Elise diferente dos outros filmes, com o forte desejo de não conversar mais com os mortos e tentando superar as perdas do passado. Mesmo com algumas características diferentes, vale dizer que a presença da personagem é um dos pontos mais fortes do filme.

    O fato é que esse encontro entre as duas logo no início do longa acaba atraindo um ser muito sombrio, que começa possuir Quinn. Quem fica desesperado com tudo isso é o pai da garota, Sean (Dermot Mulroney), que tenta convencer Elise de que ela é a única que pode salvar sua filha.

    A premissa já é falha a partir do seguinte ponto: se nos dois primeiros filmes temos pai e filho com habilidades especiais, que os possibilitavam transitar pelo "além", agora essa passagem é pouco explorada. Isso fica claro ao prestarmos mais atenção no fraco desenvolvimento do demônio que assombra a protagonista, uma criatura com um visual aterrorizante, mas com uma história nada explorada e pouco justificada.

    Para amenizar os problemas, Sobrenatural: A Origem acerta em manter o estilo fantasioso que marcou os dois primeiros filmes, com a presença de uma boa trilha sonora e bons efeitos visuais, principalmente na hora das passagens do espírito maligno.

    Pena que as virtudes param por aí. Mesmo com a boa habilidade de Whannel em conduzir a história com uma direção segura, com cortes ágeis e dinâmicos, Sobrenatural: A Origem não agrada tanto quanto podia, afinal, não traz nada de inovador dentro do gênero terror e as questões que ficam em aberto nas duas primeiras partes da série não são respondidas.