cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    SOLIDÃO E FÉ

    Premiado em Minas Gerais, documentário traz vívido olhar feminino para universo dos rodeios no Brasil<br />
    Por Roberto Guerra
    04/08/2011

    Começo a crítica de Solidão e Fé, longa de estreia de Tatiana Lohmann, ressaltando suas duas evidentes qualidades: originalidade e parcimônia. O que à primeira vista parece apenas um documentário sobre o universo dos rodeios brasileiros, mostra-se um trabalho diferenciado pela abordagem e elogiável pelo equilíbrio que a diretora - também responsável pelo roteiro - conseguiu ao evitar cair em armadilhas óbvias que o trabalho previa. Habilidosa, soube dosar muito bem os elementos que compõem seu filme e o resultado é um documentário que deve agradar fãs de rodeio como espectadores completamente alheios a este universo.

    Solidão e Fé é uma espécie de making of dele mesmo. Trata-se de um diário de viagem narrado em primeira pessoa por Tatiana, que viajou com sua câmera (sempre segura e bem posicionada) pelo universo masculino dos rodeios expondo de forma honesta e sensível suas observações. Neste ponto, surge de cara a primeira armadilha. Ao optar por se inserir no documentário e exibir suas impressões, a diretora demonstrou coragem, afinal, seria mais fácil e seguro simplesmente retratar e não se envolver. Mas ao se expor, soube não transformar sua incapacidade de compreender em julgamento.

    A câmera de Tatiana contempla, mas também sente e se ressente do que se desdobra em sua frente. A documentarista percorre três dos mais importantes rodeios do país: Rio Verde, Novo Horizonte e o famigerado Barretos. E, em cada um deles, revela personagens interessantíssimos desse universo tão distante dos moradores das grandes cidades. Pelas lentes de Tatiana o espectador é apresentado a um Brasil rural regido por códigos de conduta peculiares, onde atitudes são respaldadas por conceitos de honra e conflitos, muitas vezes, resolvidos por meios violentos.

    É nesse cenário de cavaleiros de vida cigana, de heróis do cotidiano e gladiadores de arenas cercadas de anúncios de cerveja que a cineasta passeia com desenvoltura, ora com a câmera em mãos, como uma intrusa a se aventurar por um mundo desconhecido, ora com ela fixa, fazendo as vezes de observadora responsável que não interfere, apenas contempla um mundo no qual ternura e rusticidade se misturam formando amálgama improvável.

    Equilíbrio, boa direção e apuro técnico (com destaque para a montagem) caracterizam os 89 minutos de projeção de Solidão é Fé. Um filme sem excessos e de valores inegáveis.