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    SOLO

    Monólogo com Antônio Abujamra reflete sobre solidão, velhice e São Paulo.<br />
    Por Heitor Augusto
    23/05/2010

    A primeira coisa que chama a atenção em Solo é a presença de multifuncional Antônio Abujamra. Ele está praticamente sozinho no filme. Suas únicas companhias são uma poltrona, um abajur e uma câmera que, meio que por acaso, foi parar na sua frente enquanto ele pensava alto as “aventuras” de sua “excitante” vida.

    Depois de resistir a 73 minutos de monólogo (sim, o texto é divertido, mas haja energia para espantar os bocejos), fica uma sensação gostosa trazida pelo personagem escrito por Ugo Giorgetti. Por que?

    1) Giorgetti fala sobre solidão e passagem do tempo, de como a velhice bate sem pedir licença. Mas, felizmente, não fez um tratado sobre tal, com começo, meio e fim de reflexões engessadas sobre estar só. No texto interpretado por Abujamra, tem melancolia e sarcasmo, os dois juntos. Sem lição de moral, o que é ótimo.

    Claro que o personagem se apega a memórias e cenários do passado, uma São Paulo bem diferente (algo característico dos filmes de Giorgetti). Quem já está com mais de 65 anos, com certeza vai se identificar com aquele passado, mas Solo não é necessariamente um retrato de geração.

    2) O homem que se rasga frente à câmera é... extremamente desinteressante! Porém, quisera eu ter a habilidade de contar para alguém minhas desventuras com o mesmo ar épico que ele dá à história sobre como tornou-se síndico do prédio. Ou quando a mulher o deixou. Ele é tão interessante quanto eu, você e todos nós. Quando vistos de perto – exatamente o que o filme faz – quem não fica desinteressante?

    3) O protagonista/antagonista de Solo é estupidamente consciente de tudo. Consciente da câmera que o observa, da sua velhice, da passagem do tempo, dos cocôs de cachorro nas ruas de Higienópolis. O primeiro sinal disso está logo no começo do filme, com Abujamra nos contando, sem muito rodeios, como sua barriga avantajada transforma o ato de calçar as meias uma verdadeira saga.

    Um gordo. É lindo quando alguém fala de sua condição sem recalque ou romantismo, mas com ironia. E pronto.

    O que mais dá para falar de Solo? Monólogo não é a forma com a qual estamos acostumados a ver uma história se desenvolver em um filme. Mas, por esse filme de Ugo Giorgetti, vale a pena correr o risco e se deliciar com um velho rabugento.