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    SOMBRAS DA NOITE

    Apesar da boa premissa, produção de Tim Burton sofre com falta de uma narrativa consistente
    Por Daniel Reininger
    21/06/2012

    O oitavo filme da dupla Tim Burton e Johnny Depp, baseado na série Dark Shadows, exibida pela rede norte americana ABC entre junho de 1966 e abril de 1971, é uma mistura de tudo que o cineasta tem de melhor e pior. O resultado é uma engraçada (admito) sequência de situações embaraçosas e desconexas com potencial também para decepcionar até os maiores defensores do diretor.

    O longa começa com uma apresentação de cinco minutos da saída da família Collins de Liverpool, no século 18, e sua ascensão como potência da indústria pesqueira em Collinswood, Estados Unidos. Seu filho, Barnabás (Depp), acaba se relacionando com Angelique (Eva Green), uma empregada da família que é também uma bruxa.

    Quando o jovem se nega a casar com a moça e escolhe Josete (Bella Heathcote) para ser sua noiva, ele é amaldiçoado e aprisionado por dois séculos. Acorda em 1972 e deve enfrentar a decadência de sua família em mundo moderno que não compreende.

    Embora a premissa seja boa, a produção sofre com dois graves problemas: falta de uma narrativa consistente, o que torna difícil se envolver com a história, e a necessidade de conhecer a temática da série Dark Shadows e um pouco da cultura pop dos anos 1970 para entender os melhores momentos do longa, cujo ápice é o show de Alice Cooper, o roqueiro que o vampiro simplesmente não entende que é um homem.

    O interessante é que a trama dá muita importância para Victoria Winters (Bella Heathcote novamente) no começo, mas seu sumiço no meio do filme deixa claro que o roteiro de Seth Grahame-Smith, autor do livro Orgulho e Preconceito e Zumbis, que mostraria a visão da moça, foi deixado de lado em algum momento em prol do que Burton queria – Barnabás como estrela.

    Além disso, os personagens não são cativantes, falta charme e, às vezes, até coerência à produção. São tantos elementos misturados que parece que Burton estava na duvida se fazia um terror gótico, uma comédia infantil, um longa de humor negro, um drama de superação ou simplesmente algo estranho. Pelo menos numa coisa ele acertou: a direção de arte, claro.

    Sim, o visual é o ponto alto de Sombras da Noite. As cores fortes foram muito bem escolhidas, os figurinos e ambientes de cena tem o estilo Burton e são marcantes, cortesia de Rick Heinrichs, parceiro de longa-data do cineasta e ganhador do Oscar por Sleepy Hollow- A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça.

    Diferente de outras grandes atuações de Depp, como em Swenney Todd, o ator não consegue tanto impacto na hora de dar vida ao bizarro vampiro do século 18. Isso não o impede de se divertir horrores no papel da estranha e burra criatura, que cai uma, duas, três vezes nas armações de Angelique – a única personagem com algum senso de propósito na trama – mesmo que deturpado.

    Sombras da Noite é uma coleção de momentos bons e ruins sem muita coerência entre si. Uma produção leve com potencial para se dar bem na Sessão da Tarde daqui a alguns anos.