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    SOMOS TÃO JOVENS

    Filme se destaca por mostrar a gênese de Renato Russo, líder do Legião Urbana, humanizando o ídolo
    Por Roberto Guerra
    01/05/2013

    Quem presenciou os áureos tempos do Legião Urbana já não é tão jovem. Éramos jovens, é verdade, mas é só apertar o play de canções como Que País é Este, Música Urbana, Geração Coca-Cola, Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo para a máquina do tempo ser acionada. Elas são criações da cabeça genial de Renato Russo, vocalista e letrista da banda brasiliense morto precocemente em 1996, vítima da Aids.

    Somos Tão Jovens cativa o público de cara justamente por se propor mostrar a gênese do artista. Renato Russo, o músico consagrado, é deixado de lado. O diretor Antônio Carlos Fontoura vai atrás do anônimo Renato Manfredini Jr, adolescente classe média de Brasília, professor de inglês, inteligente, entediado, rebelde, vítima de uma doença que o deixou prostrado na cama por um ano.

    É esse garoto que vai se transformar em Renato Russo lá na frente, mas este todos conhecemos. Ele está estampado na capa do CD em posição de destaque na prateleira de muitos fãs saudosos. Ver os dilemas, incertezas e vivências pessoais que separam um Renato do outro é o trunfo deste longa que faz uma ótima ambientação da época em que surgiu não só o Legião, mas bandas como Plebe Rude, Capital Incial e Paralamas do Sucesso.

    Essa é a trajetória acertada de Somos Tão Jovens. O filme não acaba com a morte de Russo, mas com o show no Disco Voador que transformou o Legião no estrondoso sucesso que conhecemos. Mas é justamente o que não conhecemos, ou sabemos pouco, o norte que Fontoura buscou para o filme. A ideia de transitar pelo íntimo e pessoal do Renato pré-ídolo, no entanto, carecia de um ator que desse conta do recado. E ele é Thiago Mendonça.

    O cara manda muito bem auxiliado por um ótimo trabalho de caracterização. Merece um elogio a parte por ter driblado com habilidade algo que poderia derrubar seu personagem. Renato Russo era muito afetado e discursivo no modo de falar, tudo que um ator costuma evitar ao interpretar um personagem. Mendonça, habilmente, consegue incorporar maneirismos na fala e gestuais sem tornar seu Renato caricato.

    Somos Tão Jovens peca no desenvolvimento de alguns coadjuvantes, que poderiam ter suas passagens mais aprofundadas. Fontoura optou por não se prender nos personagens periféricos para não alongar e manter a dinamismo do filme. Ganha-se por um lado – de fato o filme é movimentado e com a urgência de um jovem – e perde-se no desdobramento de histórias assessórias que seriam bem-vindas.

    Mesmo com lacunas a preencher, Somos Tão Jovens é um filme bom e necessário por fazer um registro autêntico de uma época tão importante para a música nacional. É elogiável ainda por humanizar a figura de seu biografado. Renato Russo é mostrado em sua genialidade latente, mas também em momentos não tão simpáticos, frutos de seu egocentrismo e prepotência. E quando se humaniza um ídolo, o que assoma é a pessoa. Melhor motivo, sem dúvida, para ir ao cinema e não perder esse filme.