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    SONATA DE TÓQUIO

    Por Sérgio Alpendre
    22/05/2009

    Kiyoshi Kurosawa (nada a ver com o famoso Akira Kurosawa, diretor de Ran) desenvolveu uma carreira especialmente brilhante dentro do cinema de gênero. Seus filmes exploram um terror que está na ambiência, raramente nos sustos. É o cinema do frio na espinha, em vez do pular na poltrona. Talvez por isso o alcance de seus filmes seja tão poderoso.

    Ao incutir no espectador o medo de ver algo assustador, ele trabalha o tempo todo com os sentidos, com o inevitável desconhecimento do futuro. Não há nada previsível em sua obra, cada sucessão de cenas pode ser de uma surpresa tamanha e até mesmo de uma decepção imensa, pois raramente acontece o que esperamos da maneira como esperamos.

    Em Sonata de Tóquio, acompanhamos um pai de família que tem de lidar com o desemprego e com a dificuldade de se inserir novamente no mercado. Seu filho quer estudar piano, a mãe tenta lidar com a estranheza da situação, ao mesmo tempo em que não entende o porquê do comportamento do marido ter se tornado tão agressivo.

    O que está em questão é a sustentação de uma aparência, a ausência de diálogo, a necessidade de se sair de terno e gravata para entrar na fila da comida gratuita. O onirismo entra em cena em diversos momentos, talvez para provar que a vida nos reserva coisas incompreensíveis mesmo, e o negócio é seguir vivendo, recomeçar sempre.

    Estamos diante de um drama social? Não. Estamos diante de um filme inclassificável. E muito belo.