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    SONHOS E DESEJOS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    É uma pena. O primeiro longa-metragem do diretor mineiro Marcelo Santiago chega às telas com muito mais problemas que méritos. O filme mistura, com pouquíssima credibilidade, romance com drama político e os resultados não entusiasmam. A trama se passa nos anos da ditadura brasileira, momento no qual a jovem Clara (Mel Lisboa, eficiente no papel) se engaja na luta armada, motivada pelo seu professor de Literatura (Felipe Camargo). Porém, ao ser isolada num apartamento na companhia de um jovem guerrilheiro ferido (Sérgio Marrone), a paixão e a traição são inevitáveis.

    O filme tem produção artística de Fábio Barreto e produção executiva de Lucy e Luís Carlos Barreto, responsáveis por gigantescos fracassos de crítica, como Bela Donna, A Paixão de Jacobina e o ainda inédito Nossa Senhora de Caravaggio. Talvez graças à direção de Santiago, Sonhos e Desejos não seja tão desastroso quanto estes três exemplos citados, mas também tem seus momentos de puro constrangimento. É difícil acreditar, por exemplo, num guerrilheiro revolucionário bailarino que se inspira em Nijinsky e dança balé diante da sua amada, trancado num "aparelho", encapuzado para não ser reconhecido. As cenas de sexo surgem de forma falsa e gratuita, dirigidas com estética publicitária, fazendo lembrar dos velhos tempos em que os filmes brasileiros encaixavam nudez a torto e a direito nos roteiros, apenas para chamar a atenção de um público, na época, travado pela ditadura e sedento por algum tipo de liberalização.

    Se o assunto é ditadura militar brasileira, Cabra-Cega e Quase Dois Irmãos são dois exemplos recentes que exploram o tema com muito mais talento que Sonhos e Desejos.