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    'Spencer' é o emocionante retrato de uma mulher lutando contra si mesma

    O longa estrelado por Kristen Stewart conta como a Princesa Diana chegou ao limite
    Por Thamires Viana
    26/01/2022 - Atualizado há 4 meses

    “Passado e presente são a mesma coisa”. Essa é uma das frases que mais exemplificam a abordagem de Spencer, novo filme do chileno Pablo Larraín que chega aos cinemas estrelado por Kristen Stewart

    Trazendo às telas um retrato intimista e até mesmo fantasmagórico da icônica Princesa Diana, o roteiro assinado por Steven Knight é uma mistura de muitos elementos que, juntos, mostram a exaustão vivenciada pela monarca durante os anos em que integrou a família real britânica.

    A frase citada acima é dita durante um diálogo emocionante entre Diana e seus filhos, Harry (Freddie Spry) e William (Jack Nielen), durante a noite de Natal. Mostrando uma liberdade quase utópica, a jovem esclarece às crianças como o passado e o presente se misturam nas tradições impostas pela Rainha Elizabeth (Stella Gonet). A ausência de futuro é muito mais sobre como ela, no auge de um esgotamento mental e físico, já não conseguia mais permanecer no seu casamento com Charles (Jack Farthing). 

    Indo na contramão das tradicionais cinebiografias, Spencer conta com um tom onírico que mergulha na conturbada mente de Diana e dá ao público uma visão sobre como ela enfrentava as regras impostas pela realeza exteriorizando isso através de automutilação e transtornos alimentares.

    Cena de SpencerDivulgação / Diamond Films

    Essa forma de retratar a psique de Diana entrega completamente o filme a Stewart, atriz de 31 anos que pode receber sua primeira indicação ao Oscar pelo papel. Com dezenas de camadas trazidas à atuação, a norte-americana parece exorcizar neste trabalho todas as críticas já recebidas ao longo de sua carreira. 

    Adotando todos os trejeitos da Princesa, Stewart mergulha com veemência no lado mais fragilizado dessa retratação e garante uma das melhores atuações dos últimos tempos. A direção segura de Larraín, que também comandou o incrível Jackie (2016), é a união perfeita para o impressionante desempenho da atriz neste trabalho. 

    A maneira com a qual o roteiro introduz as visões e a obsessão de Diana com Ana Bolena, a segunda esposa do rei Henrique VIII que foi decapitada pelo marido, é o que dá o ritmo melancólico que Spencer carrega durante todo o seu decorrer. A simbologia da decapitação de Bolena é a forma do longa em mostrar como Diana estava perdendo a cabeça diante de tanta pressão interna e externa, principalmente pela reclusão imposta por Elizabeth para evitar os flagras dos tabloides sedentos por imagens da família. 

    Cena de Spencer Divulgação / Diamond Films

    Nas atuações coadjuvantes, é impossível não mencionar Sally Hawkins, atriz que vive a doce Maggie, uma das funcionárias da realeza e grande confidente da Princesa. É sua personagem a responsável por adicionar um tom de leveza à trama, principalmente na divertida cena em que ela releva uma grande conexão com Diana.

    Destaque também para Timothy Spall como Alistair Gregory, escudeiro da Rainha que assume uma postura dura para com a Princesa de Gales. Com expressão carrancuda e grandes advertências a Diana, o personagem assume quase o lugar de um vilão nessa história. 

    Spencer é um retrato muito delicado sobre o "lado B" de uma figura pública que, por muitos anos, foi alvo de fofocas e controvérsias em sua retratação. É um filme que carrega consigo um preciosismo que honra veementemente o legado deixado por Diana. 

    Assista ao trailer oficial de 'Spencer':