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    SPOTLIGHT - SEGREDOS REVELADOS

    História real é entregue com talento por grande elenco
    Por Edu Fernandes
    05/01/2016

    O jornalismo é uma profissão romanceada à exaustão em filmes e outras narrativas. Apesar dos percalços desse campo de trabalho, de tempos em tempos surge uma história real que reacende a chama. Esse é o caso de Spotlight - Segredos Revelados.

    O título faz menção a uma equipe especial dentro do Boston Globe. Os três repórteres capitaneados pelo editor Walter Robinson (Michael Keaton, de Birdman) dedicam-se por meses para investigar um assunto incessantemente e de forma confidencial. Só depois desse árduo trabalho é que publicam uma matéria completa e profunda.

    Em 2001, o jornal recebe um novo chefe de redação (Liev Schreiber, de Amante A Domicílio), que pede para o time de Robinson se aprofundar na questão dos abusos sexuais infantis praticados por padres nas paróquias de Boston. Os repórteres logo percebem que a Igreja Católica sabia dos delitos e orquestrava um complexo sistema para abafar os ocorridos. Essa rotina foi estabelecida nos anos 1970 e continuava até a virada para o terceiro milênio.

    Além do peso dos temas abordados, o que impressiona em igual escala em Spotlight é o nível do elenco. Atores de renome empregam seu talento com a mesma dedicação dos jornalistas reais que interpretam. As semelhanças nos maneirismos e entonações vocais impressionaram os próprios retratados.

    Na equipe de Robinson estão os repórteres Mike Rezendes (Mark Ruffalo, de Vingadores: Era De Ultron), Sacha Pfeiffer (Rachel Mcadams, de Nocaute) e Matt Carroll (Brian d'Arcy James, de O Encontro). Eles têm de equilibrar suas vidas pessoais com as demandas profissionais, mas essa não é a única disputa que enfrentam.

    Spotlight mostra uma série de obstáculos na concretização da matéria. Para começar, há as negociações internas do jornal, seja com o editor-chefe (John Slattery, de Homem-Formiga) ou com outros colegas. Em uma cidade com domínio católico tão evidente, lidar com a Igreja é outro enorme desafio. Eles o fazem na Justiça para ter acesso a documentos confidenciais e entre os apoiadores do jornal que são ligados à Santa Sé de alguma forma.

    Se o roteiro faz milagres para unir todos os conflitos em um espetáculo de malabares, o mesmo não pode ser dito da trilha musical. Howard Shore (O Hobbit: A Batalha Dos Cinco Exércitos) compôs peças cafonas antiquadas, que têm a capacidade de desligar o espectador das cenas, tamanho incômodo que ocasionam.

    Apesar do deslize musical, o saldo final é mais do que positivo. O triste está fora da tela, ao percebemos que esse tipo de enredo real tende a se tornar cada vez mais raro. Com as demandas imediatistas das redações atuais, é impensável confiar tanta energia em apenas uma matéria, por mais relevante que o resultado final seja. Por isso, a esperança do jornalismo, essa profissão com ares românticos e em brava crise, reside nos veículos menores e independentes.