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    STAR TREK: SEM FRONTEIRAS

    Nos 50 anos da franquia, novo filme cumpre seu papel
    Por Daniel Reininger
    28/08/2016

    Star Trek é uma das franquias mais bem-sucedidas da cultura pop e há 50 anos encanta o mundo ao desbravar os confins do universo. Para comemorar o 50º aniversário da série, a Paramount lança Star Trek: Sem Fronteiras, novo longa da trilogia iniciada por J.J. Abrams em 2009. Ser lançado numa data tão importante é muita responsabilidade para um filme só, então a boa notícia é que a obra cumpre seu papel, é divertida e uma ótima adição a esse universo.

    A verdade é que o longa mais parece um capítulo da série clássica do que um filme em si, afinal, a trama se limita a acompanhar uma das aventuras da tripulação, sem ter o futuro da humanidade ou da Federação em suas mãos. E isso é algo bom. Uma franquia como essa não sobrevive apenas com situações extremas, precisa acompanhar tramas mais contidas para garantir a diversidade de suas histórias. E, na verdade, esse sempre foi o mote de Star Trek.

    Na trama de Sem Fronteiras, se passaram três anos da lendária missão de cinco anos da USS Enterprise. Capitão Kirk (Chris Pine) começa a questionar o motivo de se juntar à frota estelar e passa a refletir sobre deixar a exploração espacial de lado.

    Por sua vez, Spock (Zachary Quinto) também passa por uma crise existencial após a triste notícia da morte do embaixador Spock, versão do futuro interpretada pelo falecido Leonard Nimoy, lembrado com bela homenagem nesse filme. Essa triste novidade o faz querer voltar ao seu povo e ajudar a reconstruir sua raça, dizimada após a destruição de Vulcano (no filme de 2009). Com isso, o romance dele com Uhura (Zoe Saldana) é abalado e ele precisa tomar uma difícil decisão.

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    Enquanto Kirk e Spock tomam atitudes para mudar o rumo de suas vidas em breve, um pedido de socorro os obriga a sair em uma última missão, mas com consequências desastrosas. A nave USS Enterprise é abatida, sua tripulação feita refém e cabe aos protagonistas acharem um jeito de salvar a todos. A partir daí, a trama é muito simples e direta: Kirk precisa reunir sua equipe, fugir do planeta e impedir o plano do vilão Krall (Idris Elba).

    Entretanto, a produção se destaca não apenas visualmente e pelas ótimas cenas de ação dirigidas por Justin Lin, famoso pela franquia Velozes E Furiosos, mas também pelo desenvolvimento dos personagens, humor e capacidade de aprofundar questões emocionais. Esses elementos são alcançados, em parte, ao dividir os personagens de forma inusitada, como colocar Spock e Dr. McCoy (Karl Urban) juntos enquanto lutam por suas vidas em um planeta hostil, mas também pelo sólido roteiro e atuações convincentes.

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    A produção ainda apresenta uma nova personagem, Jaylah, uma alien cheia de habilidades que ajuda a tripulação da Enterprise. A atriz Sofia Boutella (Kingsman - Serviço Secreto) está encantadora no papel, pena sua personalidade não ser aprofundada e alguns clichês aparecerem quando ela está em cena. Além disso, Idris Elba também está bem como vilão Krall, exagerado e caricato, porém com o tom dramático típico dos antagonistas da franquia.

    Só que o maior problema do filme acontece exatamente com Krall, cujas motivações são rasas demais e falta explicação para entendermos realmente como o personagem chegou ao ponto em que se encontra. Faltam algumas cenas para aprofundá-lo e transformá-lo em alguém realista e não apenas um vilão clichê de mundos fantásticos que não faz nada além de cumprir seu papel de criar problemas.

    Apesar desse deslize, Star Trek: Sem Fronteiras ainda faz jus à criação de Gene Roddenberry ao tratar de assuntos sociais relevantes para 2016, os quais não vou entrar em detalhes pra evitar spoilers. Além disso, o clímax ao som de Beastie Boys é absurdo, mas muito divertido e faz sentido com a ideia da série de soluções fora da caixa para resolver grandes problemas. Por elementos como esses, o novo filme deve agradar tanto aos fãs de longa data quanto aos novos públicos e é um grande presente de 50 anos para a franquia.