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    STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI

    Por Daniel Reininger
    12/12/2017

    O Despertar Da Força fez um ótimo trabalho em revitalizar Star Wars para as novas audiências, que tinham apenas os fracos prólogos como referência nos cinemas e se tornou, basicamente, uma franquia conhecida pelos mais jovens pelos games de Lego e desenhos animados. Não é à toa que a expectativa para o episódio VIII se tornou algo gigantesco.

    Essa ansiedade costuma ser um problema. Os fãs esperam ver certos aspectos e esperam sair ainda mais animados com a continuação do que aconteceu com o filme anterior. O próprio estúdio pretende alcançar certas marcas comerciais e conquistar de vez o público, isso gera uma pressão absurda. E essa pressão parece ter tido efeito em Os Últimos Jedi, principalmente nos quesitos tom e ritmo.

    O longa dividiu muitas opiniões já na sessão para jornalistas e fãs da qual participamos, alguns alegam ser o melhor filme depois de O Império Contra-ataca, outros um dos piores da saga. Para mim, é um bom filme, mas inferior a Despertar da Força e sem o mesmo impacto de Rogue One: Uma História Star Wars.

    A trama começa imediatamente após o episódio VII, com a Resistência na pressa para deixar sua base secreta, após o confronto com a Primeira Ordem, e com todas as suas esperanças depositadas em Rey encontrar e trazer Luke Skywalker de volta para lutar contra o mal na galáxia. As cenas iniciais deixam claro que a coisa está pior do que podíamos imaginar.

    O filme apresenta Rey numa situação muito parecida com Luke em Império Contra-Ataca, com algumas surpresas. A resistência está em uma posição muita parecida com Han e Leia, também no episódio V. Enquanto Finn e Rose possuem um arco totalmente novo e interessante.

    O diretor Rian Johnson acertou ao tentar surpreender o público brincando com expectativas e, muitas vezes, confundindo o público ao tomar caminhos inesperados. Isso faz bem para a franquia e para o universo. O roteiro é redondo e não possui falhas grotescas, o que ajuda na narrativa, e a fotografia e parte técnica são impecáveis. Entretanto, as duas horas e meia se mostram cansativas e não existe material que justifique a história se arrastar por tanto tempo.

    Com tom cada vez mais perto de um filme de super-heróis do que uma fantasia no espaço, Rian também trouxe algumas manias da Marvel para o universo criado por George Lucas, principalmente o humor. As piadinhas estão muito presentes, mas fora de tom, na maioria das vezes. A primeira vez que vemos Luke é exemplo claro disso e um dos momentos mais desapontadores do longa. E deveria ser um dos melhores, ainda mais depois da cena final de O Despertar da Força.

    Sim, Star Wars é uma franquia para crianças e adolescentes desde seu início. Sim, possui piadas e momentos descontraídos, mas sempre soube separar os momentos sombrios dos leves. Em Os Últimos Jedi não existe essa separação e momentos de tensão são quebrados por piadas fora de hora constantemente.

    Os personagens também ficam de lado para dar espaço para ação. O desenvolvimento dos heróis é praticamente nulo, o treinamento de Rey é decepcionante e sua interação com Luke merecia muito mais cuidado. Poe está mais interessado em ser um herói badass do que em ser útil para a Resistência, mas não tem o carisma de Han Solo, que mesmo sendo um babaca conquistava o público. Finn é o destaque, exatamente por interagir com novos personagens e ter BB-8 ao seu lado, embora até o robozinho tenha perdido espaço.

    Nesse ponto, é a interação de Kylo Ren e Rey que realmente merece elogios. Ren, por sinal, cresce ainda mais como personagem e até quem não gosta dele deve passar a ter algum respeito pelo filho de Han Solo.

    Talvez a melhor sacada do roteiro seja exatamente lidar com questões do passado que todos sabiam não fazer sentido. Finalmente alguém falou que o equilíbrio da Força não significa o lado da Luz ser mais forte. Kylo Ren é uma criança mimada com um capacete e isso é jogado na cara dele, entre outros pequenos momentos de fan service que geram pequenos prazeres ao longo do filme.

    E se o desenvolvimento dos personagens sofreu em prol das cenas de ação, pelo menos nesse ponto o longa não desaponta. É uma sequência mais incrível que a outra, com certos exageros, é verdade, mas impossível não se animar a cada absurdo que vemos na tela. O poder dos Jedi também parece cada vez maior no universo controlado pela Disney.

    Os Últimos Jedi é um bom filme, uma boa sequência. É o mais ousado dos filmes da franquia sob comando da Disney, mas também com mais falhas de tom, a ponto de ser possível esquecer que se trata de um Star Wars. Provavelmente o longa vai conversar melhor com os novos fãs da saga e deve desagradar os de longa data. O curioso é que o longa tem um tom definitivo demais para um segundo filme de uma trilogia, provavelmente devido à morte de Carrie Fisher, em dezembro do ano passado.

    Rian Johnson mexeu com o universo Star Wars, isso é inegável. Em alguns pontos, ele acertou em cheio, como ação e por não seguir caminhos óbvios. Em outros, perdeu a mão, como no humor. Entretanto, o cineasta de Looper - Assassinos Do Futuro pelo menos tentou algo novo e não seguiu o mesmo caminho seguro que J.J. Abrams trilhou em Despertar da Força, algo que ajudou o filme de 2015 ser memorável, porém previsível.