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    STELLA

    <p>Muito da for&ccedil;a do filme vem da compet&ecirc;ncia de seu &oacute;timo elenco</p>
    Por Celso Sabadin
    03/06/2009

    Stella é uma produção francesa sobre uma garota de 11 anos que passa por uma série de transições emocionais e afetivas. Falando assim, pode parecer que se trata apenas de mais um filme sobre “ritos de passagem”. De mais um filme sobre conflitos adolescentes e pré-adolescentes. De mais um filme sobre problemas de adaptação escolar. Stella pode ser tudo isso. Menos “apenas mais um filme”.

    A roteirista e diretora Sylvie Verheyde realizou um trabalho extremamente passional e autoral. E nem poderia ser diferente, já que a Stella do título é ninguém menos que a própria Sylvie: o filme é totalmente autobiográfico. Tudo acontece no final dos anos 70, momento em que Sylvie, aliás, Stella é transferida para um novo colégio, onde vai cursar a quinta série. Lá, todos parecem ser mais ricos e mais esnobes, o que faz com que a garota se desinteresse completamente dos estudos. Por outro lado, o ambiente familiar também não ajuda. Seus pais são proprietários de um bar decadente, onde no andar de cima moram diversos tipos de desclassificados sociais. Tudo parece conspirar contra o futuro sadio da menina.

    Porém, Stella não é um filme marcado pelos famosos tédio e depressão crônicos típicos dos franceses. Pelo contrário, ele acena com otimismo e redenção para um provável futuro melhor, que pode estar nos menores detalhes. Seja numa paixão pré-adolescente, num novo disco, numa troca de papel de parede ou na descoberta dos prazeres da leitura. Descoberta, aliás, que rende um dos momentos mais poéticos do filme: Stella, para não passar atestado de burrinha para sua melhor amiga, diz ser leitora assídua de Cocteau. Mais tarde, vai a um sebo e começa a procurar por bons livros. Observando as prateleiras, carrega consigo um certo ar de culpa, como se estivesse fazendo alguma coisa errada. Sorrateiramente, compra um livro. E sai correndo com ele feliz pela rua, como que inaugurando uma nova e rica fase de sua vida. Uma corrida libertária e redentora.

    Muito da força do filme vem da competência de seu ótimo elenco, com destaque para as estreantes Léora Bárbara, no papel principal, e Melissa Rodrigues, como a amiga Gladys. O destaque triste fica para Guillaume Depardieu (filho de Gerard), que faleceu um mês antes da estreia do filme na França.