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    STEVE JOBS

    Cinebiografia destaca personalidade difícil do protagonista
    Por Edu Fernandes
    11/01/2016

    O desafio no roteiro de uma cinebiografia é manter a unidade narrativa. A vida de uma pessoa é cheia de reviravoltas e, na hora de contar essa jornada na tela grande, é preciso muito cuidado para não parecer uma novela. Steve Jobs consegue se livrar dessa indesejada aproximação.

    A vida do fundador da Apple (Michael Fassbender, de Macbeth: Ambição E Guerra) é narrada em três pontos cronológicos fixos: apresentações de novos produtos de suas empresas. Em 1984, era anunciado o Macintosh, em 1988 foi a vez do falido NeXT, e finalmente em 1998 com o revolucionário iMac.

    Com essa tática, o bom roteiro de Aaron Sorkin (O Homem Que Mudou O Jogo) evidencia a estrutura clássica em três atos, mas a efervescência de conflitos que surgem nos bastidores das apresentações pode soar forçada. Tudo acontece ao mesmo tempo e há oportunidades de discutir vários assuntos minutos antes dos grandes eventos. Assim, o filme precisar ser encarado quase como uma releitura para ser levado a sério.

    Os eventos anteriores a 1984 estão no enredo também, com alguns flashbacks. São nesses momentos em que a edição de Elliot Graham (Trash - A Esperança Vem Do Lixo) brilha, muitas vezes com a coragem de uma montagem paralela no meio de diálogos acalorados nos dois espaços cênicos.

    Apesar da liberdade narrativa na estrutura, o conteúdo é fiel à realidade, principalmente ao retratar a personalidade excêntrica e difícil do protagonista. O tratamento frio que dispensa à ex-mulher (Katherine Waterston, de Vício Inerente), a construção gradativa do afeto por sua filha mais velha, as rixas com o sócio Steve Wozniak (Seth Rogen, de  A Entrevista) e com o parceiro Andy Hertzfeld (Michael Stuhlbarg, de Boardwalk Empire: O Império do Contrabando), a aliança com Joanna Hoffman (Kate Winslet, de A Série Divergente: Insurgente), e a montanha-russa de acertos com o executivo John Sculley (Jeff Daniels, de Perdido Em Marte). Tudo isso está no filme, uma vez que seria impensável esconder.

    O caráter de Jobs se espelha nos princípios da empresa, como o controlador sistema fechado, que impossibilita a conversa dos produtos da Apple com periféricos da concorrência, por exemplo. Ou o perfeccionismo no design atraente, mesmo que isso acarrete em um preço final elevado. Todas essas nuances estão no longa.

    Fora da psique do protagonista e suas relações pessoais, também é possível ver no filme a recepção dos fãs. Multidões invadem os eventos para saber as novidades e para eles os produtos anunciados são mais do que computadores, mas objetos de desejo. Esse é outro elemento que não poderia ficar de fora do competente roteiro.

    Assim, Steve Jobs cumpre todos os requisitos que se espera de uma cinebiografia do empresário e conta com boas atuações, especialmente de Kate Winslet, vencedora do Globo de Ouro 2016. O problema é que a produção não vai além disso.