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    STRINGS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Arrependido de todas as atrocidades que cometeu durante a vida, o Rei Kharo, de Hebalon, escreve uma carta ao filho Hal. Trata-se de uma despedida, na qual o Rei pede ao filho que o perdoe e tome o poder. Logo em seguida, comete suicídio. Porém, o maligno Nezo, irmão de Kharo, encontra a carta antes de Hal, a esconde e diz a todos que o Rei foi morto pelos Zeriths, eternos inimigos de Hebalon. Revoltado, Hal parte para a guerra contra os Zeriths, deixando o trono à mercê de Nezo. Em sua saga, o jovem guerreiro descobre da maneira mais difícil que o seu amado pai, na verdade, tinha sido um grande tirano.

    Assumidamente dramática, shakespereana e sem muita criatividade, a história de Strings não chamaria muito a atenção não fosse por um detalhe inusitado da produção do filme: todos os personagens são vividos por marionetes comandados por titereiros altamente especializados, através de fios que chegam a medir 5 metros de comprimento. Nada de personagens animados. Foram mais de 100 marionetes. Cada uma, para obter uma movimentação natural, necessitou de dois a cinco titereiros na manipulação de seus mais de 20 fios. No total, para a realização do filme, foram necessários quatro anos, 115 desenhistas especializados em bonecos de marionetes, 22 dos melhores titereiros de toda a Europa e Estados Unidos, uma equipe de filmagem de mais de 150 escandinavos e 10 quilômetros de fios.

    Agora, a má notícia: nada disso faz de Strings um filme empolgante. Sim, a produção é das mais caprichadas. A direção de arte, fotografia e a montagem são, digamos assim, "de gente grande", e os bonecos têm um ótimo efeito dramático, mesmo desprovidos de expressões faciais. Mas a trama é pesada demais, exagera no tom dramático, leva-se excessivamente a sério e ainda carrega forte na trilha sonora, que não dá um minuto de silêncio aos nossos ouvidos.

    Vale apenas pelo inusitado.