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    SUBSTITUTOS

    Argumento interessante. Direção insegura que torna o filme autoexplicativo<br />
    Por Heitor Augusto
    21/10/2009

    O que dizer de um filme que, logo no início, mostra Bruce Willis, um dos carecas mais conhecidos do mundo, usando uma peruca loura com direito a uma mexa emo? Pior: isso é apenas um detalhe, considerado o resto das imperfeições de Substitutos.

    Há uma sacada interessante no argumento, que deve mais à graphic novel que inspirou o filme do que à produção cinematográfica, de fato. Robert Venditti, autor da história, capta a tendência atual do ser humano procurar a redenção por meio da tecnologia, substituindo uma vida real por uma realidade virtual e “ilimitada” – vide o ex-popular Second Life.

    A essência do mundo de Substitutos é a seguinte: numa realidade futura, seres humanos não têm mais contato uns com os outros. Eles ficam em casa e controlam robôs, os surrogates, que são belos, inteligentes, não cometem crimes etc. Enfim, um mundo perfeito, até que descobrimos que a máquina também tem seus defeitos e o arrependimento bate à porta de quem as criou.

    Bruce Willis é o herói incumbido de tentar salvar a humanidade desse mal virtual. Pena que seu personagem esteja inserido em um filme que tenta se autoexplicar a todo momento. A direção de Jonathan Mostow (O Exterminador do Futuro 3: A Revolução das Máquinas) é insegura e cheia de cacoetes.

    Exemplo: é preciso indicar que Tom (Willis) perdeu seu filho. Não contente em mostrar o rosto deprimido do personagem, a câmera ainda foca o quarto intocado com todos os brinquedos, um porta-retrato com uma foto da família e uma trilha pesada sentimental.

    É assim durante todo o filme: em qualquer cena um pouco mais complicada, Mostow exagera nos elementos para explicá-la, receoso de que a história se torne confusa. Isso é subestimar a capacidade do espectador de juntar “lé” com “cré”. Só faltava o rostinho do diretor aparecer no canto da tela, à Mortal Kombat, e perguntar: “e aí, entendeu?”.

    A interpretação dos atores é outro problema sério. Logo no início do filme, já descobrimos que todos as pessoas que vemos em Substitutos são robôs que emulam com perfeição o ser humano. O que os atores fazem? Engessam os diálogos e a presença em cena – ou seja, para interpretar robôs supostamente perfeitos, os atores agem como robôs travados.

    Talvez o que salve o filme sejam as cenas de ação. Com saltos inspirados em O Tigre e o Dragão e no inacreditável, elas imprimem no filme uma rara sensação de movimento. Se o roteiro de Michael Ferris e John Brancato (parceiros em O Exterminador do Futuro: A Salvação) acerta ao surpreender o espectador a respeito de quem está por trás dos eventos estranhos no mundo dos substitutos, erra ao ser esquemático na estrutura (apresentação, desenvolvimento e conclusão) e usar diálogos por vezes dignos de risadas.