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    SEM DOR, SEM GANHO

    Michael Bay mete os pés pelas mãos como os protagonistas
    Por Roberto Guerra
    21/08/2013

    A primeira meia hora de Sem Dor, Sem Ganho chega a enganar. Por um momento temos a sensação de que o diretor Michael Bay (Transformers) vai surpreender e provar que aprendeu alguma coisa de direção de tanto errar. A promessa, no entanto, não se cumpre. Em dado momento começa a perder as rédeas do filme e volta a ser o velho e conhecido Michael Bay, cineasta de cujo dicionário não constam palavras como sutileza, harmonia e equilíbrio.

    Sem Dor, Sem Ganho é a dramatização sensacionalista de uma história verdadeira, ocorrida na década de 90, quando um grupo de marombados resolveu ir atrás do sonho americano cometendo crimes em série. Idiotas musculosos liderados por Daniel Lugo (Michael Wahlberg), personal trainer de uma academia na Flórida com obsessão por forma física e, claro, dinheiro. O humor que permeia o filme, sustentado no bizarro das situações, é perfeitamente adequado tendo em vista o nonsense da história e a patetice do trio de criminosos.

    O problema é que Michael Bay não é um dos irmãos Coen, capazes de dosar humor e violência em histórias sobre criminosos parvos metendo os pés pelas mãos. Em dado momento, Sem Dor, Sem Ganho deixa o tom de brincadeira e passa a ser dominado por uma abundância de violência desnecessária e excessiva que entra frontalmente em choque com o que havia sido mostrado até então. Isso mina toda e qualquer boa vontade do público com os protagonistas e, a longo prazo, com o filme.

    O incompreensível é que Bay parece completamente convencido de que poderia manter o lúdico do filme, mesmo quando entram em cena serras elétricas, amputações, crânios esmagados e Dwayne Johnson fazendo churrasco de mãos humanas enquanto vaga pelo filme alucinado de cocaína e levando a tiracolo o próprio dedo decepado por um tiro. Não tem graça, até porque sabemos que os crimes de fato aconteceram, mas Bay é incapaz de perceber isso.

    De repente, o que parecia ter potencial para tornar-se o melhor longa da carreira do diretor vira apenas mais um filme irregular e exagerado de Michael Bay. Mesmo que o elenco - que inclui ainda Tony Shalhoub, Ed Harris e Anthony Mackie - renda a contento, algo incomum em seus filmes. Vale ressaltar que nem o roteiro nem os muitos truques de câmera de Bay tentam, em nenhum momento, glamourizar os idiotas, apenas destacar sua visão de mundo equivocada. Mas o fazem de forma tacanha.

    A trama de Sem Dor, Sem Ganho dava a chance a Michael Bay de fugir de seu lugar-comum cinematográfico, que são filmes cheios de estilo e pouca substância. A história de um trio de homens musculosos, narcisistas e acéfalos - mas que se consideram gênios do crime – carrega um sem número de possibilidades de abordagem e reflexão sobre a sociedade de consumo, culto ao corpo, hedonismo, etc. Mas, infelizmente, o cineasta da mão pesada a reduziu a uma fita de ação de violência excessiva, estupidez excessiva, histórias excessivas e subtramas irrelevantes. Muita dor e pouco ganho.