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    SURPRESAS DO AMOR

    Por Heitor Augusto
    23/01/2009

    O título original do filme é Quatro Natais e o motor da história é um casal que foge das cerimônias natalinas. Mesmo assim, no Brasil, Surpresas do Amor estreia quase um mês após o Natal, quando a onda do Papai Noel já passou e o que predomina no imaginário popular é a posse de Barack Obama. O longa de Seth Gordon é uma boa opção humorística que cairia ainda melhor se entrasse em dezembro.

    O título em português entrega um pouco dessa comédia romântica de início arrebatador e irônica com clichês. Quando transita na comédia, Gordon arranca risadas com um texto fácil, agilidade e humor simples. Porém, quando vai para o romantismo, o filme perde a potência.

    Kate (Reese Witherspoon) e Brad (Vince Vaughan) formam um casal aparentemente moderno, que está há três anos morando junto, mas nega formalizar a união. Abominam a família e as obrigações trazidas por ela. Filhos, então, nem pensar. Desde que se conheceram, inventam desculpas esfarrapadas para não passar o Natal com as respectivas famílias. Porém, um inesperado revertério impede que eles viajem para as Ilhas Fiji, um paraíso asiático. É hora de encarar o fim de ano com a família.

    O casal, cujos pais são separados, tem de encarar o pai de Brad, um coração de pedra, e seus irmãos durões; Kate enfrenta os traumas de infância com uma mãe bizarra e uma irmã "bonequinha"; Brad, ao encontrar a mãe, tem de lidar com o fato de que ela se casou com seu amigo de escola. E Kate recebe lições de moral.

    Diversas situações hilárias envolvem a estadia de ambos com seus pais e mães. As duas primeiras visitas apostam no humor direto, sem muita elaboração, com trapalhadas, ironias e clichês. O ator Vince Vaughan tem tanta força na tela que transparece o conforto com seu personagem. Reese Witherspoon, contida, entra como coadjuvante, preparando o terreno para Vaughan desfilar.

    A partir da terceira visita, a direção de Gordon tira o filme da comédia e tenta completar a outra maçã do gênero, o romantismo. A habilidade do diretor para o humor fácil não tem o mesmo vigor na parte romântica. Surpresas do Amor patina, escorrega, e só volta a se recuperar na última cena.

    Sutilmente, o filme reitera a importância da noção de família na formação do pensamento norte-americano, o que justifica a necessidade do diretor em fazer um filme que, do meio para o fim, volte a esse ponto e, de certa maneira, condene quem a questione. Em Surpresas do Amor, não há felicidade sem casamento ou filhos. Um reforço do entendimento de família para um americano médio.