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    TALVEZ UMA HISTÓRIA DE AMOR

    Por Thamires Viana
    13/06/2018

    Comédias românticas costumam partir do mesmo princípio e inovar o gênero com uma história autêntica e nada convencional é um grande desafio. Em Talvez Uma História De Amor, nova comédia brasileira, Rodrigo Bernardo, diretor por trás da série (Des)Encontros, faz sua estreia nos cinemas e acerta ao não abordar a forma natural de uma relação amorosa.

    A trama, baseada no livro de mesmo nome escrito pelo francês Martin Page, acompanha Virgílio, personagem vivido por Mateus Solano, um cara metódico, certinho, vítima de Transtorno Obsessivo Compulsivo, e que leva uma vida regrada, indo de casa para o trabalho e fazendo a mesma refeição todos os dias. Até que em um deles, sua secretária eletrônica revela um recado de Clara, uma moça que diz que o ama, mas que precisa terminar o relacionamento do casal. Perdido e sem saber quem é essa mulher, Virgílio embarca em sessões de terapia e ajuda dos amigos para encontrar sua "ex-namorada".

    A grande novidade está na forma de abordar o amor do casal. Sem melodrama ou (quase sem) clichês comuns em histórias românticas, o filme trata primeiro de nos apresentar ao personagem, mostrando seu dia-a-dia e fazendo o espectador criar empatia com ele. Essa riqueza de detalhes inserida em cada cena, além de foco no esquecimento de Virgílio, é uma forma divertida de tratar a utopia de esquecer completamente a pessoa amada, enquanto em todos os longas de romance o casal sofre para não lembrar.

    Essa forma de trabalhar a história de amor não cansa quem assiste e corre daquela sequência onde o casal é apaixonado, termina e vive feliz para sempre no final. Dá até para sentir umas pitadinhas singelas de Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, longa estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet em 2004, onde esquecimento é palavra chave.

    Mateus desempenha um trabalho exemplar como Virgílio, executando com segurança a missão de não tornar chato um personagem tão metódico e desesperado por organização. Há pitadas de humor inseridas de forma inteligente, que mesmo sem tal intenção, faz o espectador dar boas gargalhadas, por exemplo, quando ele recusa uma grande proposta só para não mudar sua rotina. 

    Bianca Comparato e Marco Luque são dois outros atores que somam a parte mais cômica do filme. Otávio (Luque) age como o oposto de Virgílio, sendo um cara despojado, tranquilo e que não poupa esforços para ajudar o amigo nessa missão. Já Katy (Comparato), é uma jovem que apesar da rebeldia, demonstra doçura e afeto pela história do rapaz, e junto com suas maluquices de adolescente, encontra um meio de ajudar Virgílio. As cenas entre eles trazem esses constrantes de personalidade e se tornam hilárias. Além disso, nomes como Nathalia DillJuliana Didone, Totia Meirelles e a americana Cynthia Nixon, estrela de Sex And The City, complementam o protagonista, cada uma a sua maneira divertida de ser. 

    O grande acerto da trama está em como Virgílio encara essa situação e como ele se esforça para resolvê-la. É gritante a mudança na abordagem do personagem, que passa de um certinho controlador para um cara que decide pegar um avião sem aviso prévio ou que falta ao trabalho e deixa a luz ser cortada.

    Implicitamente o filme mostra como o amor pode virar tudo de cabeça para baixo, só por se tratar de amor, de relação, de término... Mesmo sem saber quem ama, ele não poupa esforços para recuperar esse grande amor. O encontro do casal é outra coisa que marca o filme. Thaila Ayala, como sempre, traz sua personagem com leveza e simpatia, e sua química com Mateus é indiscutível! É bem possível que você chore com as cenas do casal! 

    Talvez Uma História De Amor é um filme aconchegante, divertido e simples. É daqueles que entram na nossa cabeça e faz a gente querer rever e rever... Tem lindos cenários, cenas coloridas e diálogos inteligentes. E, claro, mostra que amores são cheios de "talvez" que dão certos.