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    TARZAN 3D: A EVOLUÇÃO DA LENDA

    Excesso de elementos transforma clássico em obra confusa
    Por Daniel Reininger
    14/01/2014

    O Rei das Selvas ganhou nova releitura com a animação alemã Tarzan 3D: A Evolução da Lenda. O filme tenta atualizar a história clássica ao mudar a origem do personagem criado por Edgar Rice Burroughs, em 1912. Para isso, adiciona elementos de fantasia e ficção-científica à trama, com consequências desagradáveis.

    O básico está lá.  Menino rico vive com gorilas na selva após a morte de seus pais. O que muda é a ambientação. A família do garoto não é de aristocratas e sim dona de uma megacorporação. A visita à selva tem uma finalidade estritamente comercial: encontrar o potencialmente lucrativo meteoro alienígena que destruiu os dinossauros e, aparentemente, é inteligente ou, ao menos, reage contra as investidas humanas.

    Sou totalmente a favor de filmes com elementos fantásticos, mas a historia poderia ser mais bem aproveitada sem o peso do nome Tarzan. A obrigação de mostrar a relação do garoto com os gorilas, com Jane e até a inclusão do famoso grito eternizado por Johnny Weissmuller, nos anos 30, atrapalham a trama que poderia ser boa em outro contexto.

    A parte técnica também apresenta sérios problemas. O visual é datado e os movimentos dos personagens duros. Não é questão de estilo da animação e sim falta de técnica ou de tempo mesmo. Além disso, o 3D não faz a menor diferença. Não bastassem esses problemas, a dublagem brasileira consegue deixar tudo muito pior, com entonações erradas e falas estranhas ao longo de toda a produção – sorte os macacos não falarem.

    A melhor cena parece mais um clipe musical do que sequência de animação. Jane e Tarzan nadam numa lagoa paradisíaca, acompanhados pela música Paradise do Coldplay. Nesse momento, som e imagem combinam perfeitamente em raro momento de harmonia, apesar do clichê.

    Para completar, a produção não sabe se deseja atingir o público adulto ou infantil, alternando momentos sombrios e até violentos com brincadeiras bobas. O longa também força a barra para fazer o espectador chorar a todo custo, porém a tentativa é em vão. Na verdade, chega a ser difícil se importar com qualquer um dos personagens.

    Tarzan 3D não consegue ampliar nem atualizar a lenda, apenas adiciona elementos dispensáveis à história. O resultado é uma bagunça entediante, com personagens fracos e cenas de ação sem graça. Quem gosta do Rei das Selvas, ou quer apresentá-lo aos filhos, faz melhor ao tirar da gaveta o DVD da versão da Disney - esse sim filme digno e divertido.