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    TAXI DRIVER

    Scorsese faz retrato honesto das marcas deixadas pela guerra do vietnã
    Por Iara Vasconcelos
    15/07/2014

    Lançado na época mais obscura de Hollywood, em que violência explícita e terror psicológico era algo muito comum nas produções, Taxi Driver mostrava o retrato vivo das marcas que a guerra do Vietnã deixou em seus veteranos. Com ótimo roteiro de Paul Schrader em mãos, foi com Taxi Driver que Martin Scorsese se afirmou como um dos maiores cineastas de sua geração.

    O filme foi bastante aclamado pela crítica, sendo nomeado em quatro categorias no Oscar e premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O enredo, que também pode ser interpretado como uma metáfora sobre uma América desnorteada pela derrota contra o Vietnã, país pequeno e de poder bélico limitado, acompanha Travis Bickle, ex-Fuzileiro Naval frustrado e solitário que sofre de insônia e resolve conseguir um emprego como taxista nas noites de Nova York.
    O personagem, muito bem interpretado por Robert De Niro, é um típico retrato da América conservadora e reacionária. Homem com enorme aversão a minorias e pessoas à margem da sociedade. A elas dedica o termo "scum" - o equivalente a lixo na língua inglesa. Seu grande sonho é realizar uma limpeza social e exterminar tudo aquilo que considera inútil na cidade.

    Sua vida inteira é pautada por obsessões. Seja pela bela Betsy, ajudante do comitê eleitoral do senador Palantine, seja pela prostituta mirim Iris, interpretada por uma jovem Jodie Foster. Seu grande objetivo é exterminar seu inimigo, mas quem seria esse? O senador Palatine? Betsy, que o rejeitou? A escória social que tanto repudia? Nem o próprio soldado saberia responder tal pergunta.

    O grande trunfo de Scorsese foi conseguir comandar com maestria cada elemento do filme, a fim de gerar uma sensação de catarse no telespectador e provocar uma reflexão: Somos tão diferentes assim de Travis? Todos nós estamos representados na figura dele. No final, Somos fruto de uma sociedade falida que valoriza o individualismo e vive para exterminar inimigos, muitas vezes, inexistentes.

    O mais irônico da história é que, apesar da violência latente que demonstra, Travis possui um grande senso de empatia. E é isso que fará com que ele se torne obstinado em tirar Iris da exploração sexual em que vive.

    Taxi Driver poderia ser mais uma história clichê sobre um homem negativo que muda sua percepção de mundo através de uma demonstração de amor ou caridade. Mas os diálogos recheados de humor sarcástico e a boa exploração do contexto político da época pelo diretor o tornaram uma das obras mais relevantes e atemporais do cinema. Um clássico que preza pela crítica social e pelo entretenimento de qualidade.