Pôster Tenet

TENET

(Tenet)

2020 , 150 MIN.

14 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 29/10/2020

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Christopher Nolan

    Equipe técnica

    Roteiro: Christopher Nolan

    Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas

    Fotografia: Hoyte Van Hoytema

    Trilha Sonora: Ludwig Goransson

    Estúdio: Syncopy, Warner Bros. Pictures

    Montador: Jennifer Lame

    Distribuidora: Warner Bros. Brasil

    Elenco

    Aaron Taylor-Johnson, Andrew Howard, Anthony Molinari, Bern Collaco, Carina Velva, Clémence Poésy, Dimple Kapadia, Elizabeth Debicki, Himesh Patel, John David Washington, Jonathan Camp, Katie McCabe, Kenneth Branagh, Martin Donovan, Michael Caine, Robert Pattinson, Yuri Kolokolnikov

  • Crítica

    27/10/2020 16h00

    Por Daniel Reininger

    Christopher Nolan (Batman Begins) tem uma fixação por tempo desde o início da carreira, com filmes como Amnésia, Dunkirk e até Batman - O Cavaleiro Das Trevas lidando com múltiplas cronologias ou com a sua percepção. Com Tenet, o cineasta resolve abordar o assunto diretamente, ao tratá-lo como algo manipulável, capaz de fluir para os dois lados e o efeito disso na vida das pessoas que descobrem esse aspecto da realidade. É uma ideia original e ambiciosa para o cinema comercial e sua estreia é mais do que bem-vinda para o retorno aos cinemas.

    Apesar do conceito básico ser criativo, esse é um típico longa do diretor: com ideias grandiosas, cenários impecáveis e trama ágil, com a diferença de que dessa vez ele explica ainda mais os conceitos apresentados em diálogos expositivos para o público não se perder, algo necessário quando as coisas ficam rápidas e confusas, embore tire um pouco do elemento surpresa.

    A verdade é: Tenet é um filme conceitual, com foco na inversão do tempo como forma de impressionar visualmente, não apenas pelas ideias apresentadas, mas também pela estrutura da história. Semelhante à maneira como o A Origem tem seu formato em torno do conceito de camadas de sonho, a construção geral da obra está diretamente ligada ao tempo. Quanto mais você aprende sobre como o mundo da Tenet funciona, mais satisfatório se torna.

    Também semelhante a A Origem, Tenet usa ideias dos longas de espionagem e as mistura com ficção científica, com agentes secretos, comerciantes de armas, oligarcas russos e conspirações mundiais. Isso faz da história algo fácil de entender, apesar da ousada narrativa em torno do tempo.

    A abordagem realista de Nolan aos efeitos visuais e cenas de ação é surpreendentemente simples e eficiente. Não há nada fora da caixa como lutas em corredores giratórios, mas sim perseguições de veículos e tiroteios bem óbvios, tudo para ajudar a simplificar uma narrativa complexa. Claro que esses momentos são filmados com o estilo característico do diretor: câmera dinâmica, iluminação sombria e cores suaves, mas com foco sempre em passar a ideia de que tudo aquilo poderia acontecer em nosso mundo.

    O grande lance mesmo são as cenas invertidas. Melhor ainda quando pessoas ou veículos se movem ao contrário e interagem com pessoas da linha do tempo normal. É bizarro, mas muito interessante de se ver. O grandioso final é o ápice dessa dinâmica. Realmente memorável.

    Tenet aproveita bem suas ideias, mas o conceito da inversão de tempo funciona melhor como técnica cinematográfica do que como base para a história. Definitivamente os conceitos aqui apresentados não impressionam como os sonhos em várias camadas de A Origem ou as três linhas do tempo de Dunkirk. Muitos aspectos do filme não fazem sentido e quando os personagens simplesmente repetem a frase "Não tente entender isso" parece uma admissão de que não existe maneira convincente de explicar a trama.

    O longa também tem dificuldades em termos de criação de mundo, ao mostrar muito pouco das sociedades que manipulam o tempo, e na construção dos personagens, que mais parecem partes de um quebra-cabeça do que pessoas reais. O fato do protagonista John David Washington (Infiltrado Na Klan) nunca ser chamado pelo nome deixa claro as prioridades do diretor. Isso parece um retrocesso depois de Interestelar, filme que demonstrou as habilidades de Nolan para as emoções em suas narrativas, sem falar que desperdiça talentos como do próprio Washington e Robert Pattinson (O Farol

    A exceção é Elizabeth Debicki (Guardiões Da Galáxia Vol. 2) como esposa infeliz, mas apesar de um desempenho admirável, ela ainda serve um propósito claro na trama e nada mais. O fato de seu marido, vivido por Kenneth Branagh (Assassinato No Expresso Oriente), ser um antagonista caricaturizado, com direito a sotaque russo forçado, não ajuda a humanizar o suficientemente.

    Tenet está longe de ser um dos melhores filmes de Nolan, mas é uma ótima adição à sua filmografia. É louvável que enquanto o cinema recorre cada vez mais a franquias e sequências, podemos ver uma narrativa original que tenta fugir do óbvio. Mesmo assim, Tenet é o longa "mais seguro" do cineasta, principalmente em comparação com suas obras anteriores. Apesar disso, é um lembrete fantástico de como ir a uma sala de cinema é impressionante, ainda mais quando a produção tenta trazer algo novo e diferente aos blockbusters.



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