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    TENTAÇÃO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Terry que amava Jack, que amava Edith, que amava Hank que amava todo mundo... A paródia de Drummond ilustra bem a trama de Tentação, surpreendente "tradução" brasileira para o título We Don't Live Here Anymore (não moramos mais aqui).

    Reflexivo e introspectivo, o filme mostra um quadrilátero amoroso nascido em meio ao cotidiano mediano de dois casais perdidos em algum lugar do interior dos EUA. Ou do Canadá. Não importa, é por ali. Jack (Mark Ruffalo, de Em Carne Viva) mantém um caso com a bela Edith (Naomi Watts, de O Chamado), amiga de sua esposa Terry (Laura Dern, de Parque dos Dinossauros). Para piorar a situação, Edith é casada com Hank (Peter Krause, da série A Sete Palmos), melhor amigo de Jack. A traição é dupla. E, com o tempo, será quádrupla.

    Ambos os casais se mostram tristes, incompletos. Os filhos sinalizam a desagregação familiar com cenas de tédio explícito. O sexo surge no relacionamento também de maneira entristecida, às vezes sob a forma de obrigação matrimonial, outras como simples válvula de escape, ou - pior ainda - como instrumento de posse, dominação e "marcação de território". A cidade é pequena, as emoções são grandes, o transbordamento é inevitável. Mas nada hollywoodiano. Felizmente. Aliás, com tanta gente fumando e os homens sempre com a barba por fazer, Tentação é o cinema americano tentando ser francês.

    Tentação carrega o típico espírito do filme independente norte-americano (inclusive tendo o seu roteiro premiado em Sundance), no qual as emoções sinceras se sobrepõem ao espetáculo. Trata-se do filme ideal para quem faz terapia de casal. Ou deveria fazer.