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    TERCEIRA PESSOA

    Na tentativa de um novo Crash, Paul Haggis deixa a desejar
    Por Iara Vasconcelos
    19/03/2015

    Após fazer história no Oscar 2006 com Crash - No Limite e vencer a estatueta de "Melhor Filme" ao derrotar o favorito O Segredo De Brokeback Mountain - Paul Haggis volta ao universo dos roteiros não-lineares e tramas entrelaçadas para narrar três distintas e conturbadas histórias de amor.

    Em Terceira Pessoa, somos apresentados primeiro a um escritor de sucesso (Liam Neeson) em plena crise criativa. Além de lidar com a pressão para emplacar outro best seller, ele se divide entre o carinho pela ex-esposa e seu relacionamento atual com a amante (Olivia Wilde).

    Do outro lado da trama conhecemos um vendedor de objetos de luxo falsificados que se envolve amorosamente com uma cigana e precisa ajudá-la a resgatar a filha, sequestrada por mafiosos italianos; E a última – e talvez mais nebulosa – história da ex-atriz (Mila Kunis) que perde a guarda de seu filho pequeno após um acidente doméstico que quase custou a vida do menino.

    Se em Crash, o mote era o preconceito racial enraizado na sociedade americana e a importância de se questionar o status quo, em Terceira Pessoa, Haggis busca explorar os limites morais e éticos que regem nossa sociedade. Você deixaria, por exemplo, uma mãe que quase ceifou a vida do filho continuar a vê-lo, mesmo ela alegando que tudo foi um acidente? Você ajudaria financeiramente uma pessoa que nunca viu na vida? Esses são alguns pontos levantados pela narrativa que buscam levar o espectador à reflexão.

    Apesar de histórias tão próximas do nosso cotidiano, os personagens de Terceira Pessoa pouco apelam à nossa empatia. Não porque falte veracidade no enredo – muito pelo contrário, os personagens têm suas personalidades bastante definidas e antenadas com o mundo real- o grande problema é o desenvolvimento superficial de cada panorama. A narrativa alternada não é desculpa para que as tramas sejam exploradas de forma tão desleixada. É como se, durante todo o filme, ficássemos na ânsia de entender melhor aqueles indivíduos, criar laços com seus dramas, mas somos vetados de viver nossa catarse por um corte cinematográfico mal feito.

    Com ares de um eterno clímax que nunca tem conclusão, Terceira Pessoa falha em envolver o público em seu universo. A "amarração" final das tramas parece ter sido uma solução às pressas para concluir o filme. Claro que não há dúvidas sobre o talento de Paul Haggis como diretor e roteirista - mesmo que o estilo tenha lá seus odiadores -, mas dessa vez ele perde a mão, mesmo na segurança de seu território conhecido.