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    TERRA VERMELHA

    Por Angélica Bito
    28/11/2008

    O diretor italiano Marco Bechis tem em seu currículo produções sempre engajadas com a temática social - como Garage Olimpo, sobre ditadura na Argentina - e Figli, sobre crianças argentinas, filhos de desaparecidos políticos, adotadas ilegalmente por famílias de ex-militares. Em Terra Vermelha, o cineasta volta suas câmeras para o povo indígena brasileiro, mais precisamente a tribo Guarani-Kaiowá, que vive no Mato Grosso do Sul. Foi lá que o diretor filmou e encontrou os protagonistas desta história.

    Os povos indígenas são pouco retratados no cinema, especialmente na intensidade que Terra Vermelha faz e este é um os méritos o filme. Ao conferir tamanha autenticidade na história que pretende contar - também pelo uso de indígenas não-profissionais como atores -, o longa parece ter seu discurso e posição melhor legitimados. Misturando alguns dos mais fortes elementos que compõem a cultura indígena dos dias atuais - a tradição cultural aos conflitos que encontram na sociedade e na economia dos dias de hoje, por exemplo -, Terra Vermelha também assume uma posição de defesa dos povos indígenas, que cada vez mais se encontram à margem da sociedade.

    A primeira cena de Terra Vermelha já denota como o filme pretende derrubar - ou pelo menos tentar - visões preconceituosas em relação aos índios: na beira de um rio, um grupo deles esta junto à floresta, enquanto um grupo de turistas passa por eles em um barco. Os índios estão nus, com arcos e flechas nas mãos, como uma daquelas imagens que vemos nos livros de história. Assim que os turistas seguem seu rumo, eles voltam ao meio da floresta, recebem uma grana, vestem suas camisetas de algodão e shorts de nylon e seguem com suas vidas normais.

    O filme também mostra claramente que não são somente os conflitos sociais que atingem os povos indígenas atuais, mas também a questão da auto-estima de um povo. A produção os retrata de uma maneira bem sincera: eles não passam o dia fazendo a dança da chuva ou caçando, como mostra uma visão mais clássica de sua cultura; eles podem ouvir música eletrônica e calçar tênis da moda, o que não faz com que sejam menos índios.