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    TESE SOBRE UM HOMICÍDIO

    Suspense argentino prende a atenção do espectador até o fim
    Por Roberto Guerra
    24/07/2013

    Uma jovem é assassinada e seu corpo abandonado no estacionamento de uma universidade. Um dos primeiros a chegar à cena do crime é Roberto (Ricardo Darín), advogado criminal que leciona no local. Para a polícia, aparentemente, trata-se de um homicídio obra de um psicopata misógino. Roberto, ao examinar o corpo, desconfia que a motivação do crime seja outra: alguém estaria tentando testá-lo, querendo provar um ponto de vista retórico discutido em suas aulas.

    Pode parecer delírio, e Roberto sabe disso, mas seu instinto e as parcas evidências o levam a pensar que Gonzalo (Alberto Amman), jovem aluno arrogante e desafiador, esteja tentando provar suas controversas conjecturas sobre as lacunas existentes no Código Penal. Falhas que permitem, eventualmente, que assassinos escapem da punição. Para o professor, talvez seu aluno esteja tentando dar a certeza cabal de que está certo, praticando um homicídio brutal apenas para validar sua vaidade intelectual.

    Darín, o grande ator do cinema argentino de seu tempo, mais uma vez dá profundidade e humanidade a um personagem cheio de nuances e contradições. Confrontado pelo intelecto de seu aluno e ávido por descobrir a verdade, Roberto dá início a uma investigação paralela do crime que o mergulha num espiral perigosa na qual sua bem-sucedida carreira de professor se vê ameaçada aos poucos. O personagem não é tratado pelo bom roteiro como paladino da justiça, mas como homem comum, com dúvidas e ansiedades e que recorre a garrafas de uísque para afogar suas frustrações.

    Mais do que descobrir a suposta verdade, elucidar o crime e colocar o hipotético criminoso atrás das grades, Roberto luta consigo mesmo para provar suas crenças sobre o sistema judiciário que - ele mesmo reluta a admitir - é falho como defende seu aluno. Nesta busca, Tese Sobre Um Homicídio, inteligentemente, deixa o espectador em suspensão ao longo de toda a projeção, não ficando claro até seu final se a desconfiança do professor é fundamentada ou trata-se apenas de um desatino motivado pela confrontação inesperada com o aluno brilhante.

    A produção tem técnica impecável, boa fotografia, movimentos de câmera e montagem que evidenciam o clima de thriller policial, mantendo a expectativa e tensão da audiência em alta. A estética e o desenvolvimento da narrativa, em conjunto, mantêm um clima de dúvida constante para o espectador - ambiguidade imprescindível neste estilo de filme.

    Se há um desnível, este diz respeito a Alberto Amman, o jovem ator, que, a despeito dos esforços nítidos, não consegue desenvolver um antagonista à altura de Darín. A trama também se arrasta um pouco em dado momento, sem necessidade, mas nada que a torne cansativa. A sequência final, que finalmente revela se Roberto estava certo ou não, também sofre de certa falta de criatividade. Nada, no entanto, que desmereça esse intrigante suspense.